domingo, abril 12, 2009

Aulas de Aikido

ueshiba aikido

O grupo de Aikido de Ilhabela está com novos horários de treinos. A partir deste mês temos também treinos matinais, das 7:30 às 9:00.

É bem provável que os horários noturnos continuem. Na dúvida, informem-se aqui ou pelos telefones.

Os treinos são abertos a todos os interessados -- ambos os sexos e todas as idades.

Mais informações sobre o Aikido, aqui.

A todos, muito obrigado. E sejam bem-vindos.

sexta-feira, abril 03, 2009

Bom dia, boa tarde, boa noite

Leia na íntegra meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.
O isolamento causado pelas modernas soluções de segurança criam campo fértil para que a violência urbana se propague — «tão seguro que nem o Estado de Direito consegue entrar», dizia um amigo meu. Quanto menos contato houver entre vizinhos, quanto mais frágeis forem os laços sociais, mais fácil será circular anonimamente em qualquer lugar — espécie de invisibilidade urbana, o sonho de qualquer criminoso. Mesmo abarrotada de pessoas, Ilhabela tornou-se terra de ninguém. Ironicamente, a especulação imobiliária, que pretende que toda terra seja «de alguém», só conseguiu tornar os laços sociais ainda mais frágeis.

Bom pra quem?



Em breve terminará mais uma temporada de navios. Ano após ano, mais e mais navios vêm para Ilhabela, despejando todo tipo de turista no arquipélago.

Um único navio atracado altera muito a rotina da Vila, torna inviável pedalar na ciclovia e cria um caos na Vila -- mas em várias ocasiões houve dois, até três navios atracados no Canal de São Sebastião de uma vez só.

Eu me pergunto sobre os reais benefícios da temporada de navios.

O comércio da Vila se beneficia, mas institui-se uma rotina nervosa nesses estabelecimentos, que coloca em terceiro (ou quarto ou quinto) plano o cliente habitual.

Jipeiros e taxistas se beneficiam, mas o trânsito sofre. A Vila fica congestionada e a avenida é tomada por carreatas de jipes e táxis.

Ilhabela ganha destaque como destino turístico, mas o turista que vem nos navios não me parece ser muito diferente daquele que vem para cá de carro nos feriados e temporadas de verão. A proliferação de «cruzeiros temáticos» e de cruzeiros-balada» reforça a idéia de que o turista dos navios é apenas o mesmo turista de sempre, só que em versão «sem rodas». Com isso Ilhabela continua no foco de um turismo que aparentemente nunca interessou mas que sempre foi praticado no arquipélago.

Quais são os verdadeiros benefícios da temporada de navios?

Receio que não haja benefícios reais ou suficientes para justificar o aumento do número de navios a cada temporada. A desorganização no desembarque desses turistas, a forma como se apoderam da ciclovia, da avenida, das praias próximas e das cachoeiras aonde são levados demonstra que se trata realmente de uma versão do turismo de massa.

Isto é bom pra quem?


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quarta-feira, março 25, 2009

Março

castelhanos

Não sei como é para vocês, mas para mim a baixa temporada compensa os meses de praias, ruas e estabelecimentos lotados. Abro mão dos meses de verão e dos feriados em troca de dias e noites de absoluto silêncio e quietude.

Eu havia esquecido como isso era, mas numa noite da semana passada, voltando para casa a pé, lembrei.

Caminhava como costumo fazer, a passos firmes e rápidos e ouvindo música em meu headphone. De repente notei que não havia ninguém na avenida e que havia um silêncio diferente ao redor. Num trajeto de mais de meia hora de caminhada pude contar nos dedos os carros que passaram por mim. Na Vila, a maioria dos estabelecimentos estava fechada -- e nem passava das dez da noite. Os poucos estabelecimentos abertos atendiam poucos clientes, decerto satisfeitos com o bom atendimento -- inevitável quando a maioria das mesas está livre.

A temporada ainda resiste; os navios de passageiros garantem aquela dose mínima de caos, dia sim, dia não. Felizmente isso terminará e Ilhabela mergulhará novamente no mais absoluto silêncio, donde jamais deveria ter saído.


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segunda-feira, março 23, 2009

Ilhabela sem Ilhabela

Meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.
Nem mesmo Brasília, modelo de planejamento urbano, conseguiu tornar o cerrado melhor. O que dizer de cidades não planejadas? Alguma cidade do Litoral Norte conseguiu melhorar a Mata Atlântica? Alguma cidade conseguiu melhorar a natureza ao seu redor?

terça-feira, março 17, 2009

Vendo câmera fotográfica

samsung nv15

Estou vendendo uma câmera Samsung NV15, com as seguintes especificações:

-- 10.1 MPixels, altíssima qualidade de imagens para fotos e vídeos.
-- semiprofissional
-- lente alemã Schneider-Kreuznach
-- zoom 5x
-- diversos recursos e modos de funcionamento
-- reconhecimento de rostos e 'anti-shake'
-- flash retrátil
-- teclas sensíveis 'smart touch'
-- visor de 2,5"
-- filma com áudio
-- acompanha capa protetora original, cabos, carregador e cartão de 2GB de memória

Mais informações aqui.

Preço: R$ 500

Informações pelo email ilhabela[arroba]ig.com.br ou deixe um comentário neste post para que eu entre em contato.

quinta-feira, março 12, 2009

Versus

casa

Pode ser só impressão minha, mas talvez valha a pena expor aqui a idéia que me ocorreu para saber o que pensam os leitores que vivem ou visitam Ilhabela.

A idéia é a seguinte.

O que chamamos de Ilhabela é formado hoje de dois corpos distintos: o arquipélago e a cidade. O arquipélago tenta há tempos livrar-se da cidade, que só faz crescer e aumentar sua influência sobre ele.

A relação entre esses dois corpos é semelhante àquela observada numa pessoa tomada por um câncer ou outra doença grave. Doenças simples tendem a se espalhar e é o que de fato ocorre quando a condição física da pessoa é frágil e a doença grave. Em condições normais, a doença é eliminada naturalmente pelo corpo, que também se recupera de eventuais seqüelas deixadas pela doença.

O que se vê em Ilhabela é o esforço constante da cidade para ocupar mais e mais recantos preservados do arquipélago. Ao mesmo tempo, se fosse deixado em paz, o arquipélago faria a cidade se desmanchar -- que é o que se vê em ruínas históricas e em filmes que mostram a extinção da humanidade: construções tomadas pelas plantas, animais selvagens rondando ruas e casas cujas portas e janelas se desfizeram. Sem a cidade, as águas do Canal de São Sebastião voltariam a ser cristalinas e os peixes se multiplicariam. Seria o paraíso a que muitas pessoas se referem quando vêm para Ilhabela, conforme a idéia bíblica que o define como lugar bom, puro e intocado pelos vícios do homem.

Como só há sentido em analisar um lugar em que o homem está presente, percebemos facilmente que este lugar é regido por leis e por atividades humanas. Isto é, de um lado existe a necessidade constante de expandir a cidade, investir, construir, vender e revender e, claro, de manter esse moto contínuo. De outro, existem leis e esforços (pequenos, é claro) no sentido de limitar esse moto contínuo e de transformar aquela necessidade conforme as limitações naturais do arquipélago.

Ocorre no entanto que estes esforços sempre serão falhos. Em sentido estrito, vê-se que ninguém -- dos responsáveis pela elaboração de leis àqueles que as aplicam ou que as ignoram -- encontra-se numa situação tal que lhe permita afirmar com certeza que uma vida inteiramente natural é inerentemente boa. Em outras palavras, ninguém experimentou genuinamente uma vida natural e, portanto, ninguém sabe o que exatamente é o arquipélago, quais são suas qualidades e quais benefícios ele tem a oferecer para a cidade. Via de regra, todas as pessoas -- mesmo as mais ecologicamente xiitas -- trabalham no sentido de tentar conciliar cidade e arquipélago, o que parte sempre do pressuposto de que a cidade é algo bom. Mas não há conciliação possível: a cidade é um processo, o arquipélago é um dado. E se não há conciliação possível, todo esforço nesse sentido cai no vazio que mantém o crescimento da cidade tal como ele sempre foi, assim como mantém também o eterno conflito entre cidade e arquipélago.

A ignorância em relação à impossibilidade de conciliar cidade e arquipélago garante a repetição do processo de destruição do arquipélago. Esse processo pode ser suavizado, mas sem a compreensão do que é a cidade (um processo) e do que é o arquipélago (um dado), não há qualquer conciliação possível.

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quarta-feira, março 11, 2009

Causar, desfrutar, faturar



Meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto
O turista, por definição, está dispensado de ter pleno conhecimento do lugar que visita. Não importa para ele se Ilhabela não é exatamente como aparece no cartão postal, importa apenas que haja sol e que ele possa se divertir — há varias empresas e estabelecimentos dispostos a enfeitiçar o turista. Se as praias e as cachoeiras estiverem sujas (estão), piscinas e cervejas geladas garantirão o frescor dos feriados e finais de semana. Nestas condições o turista ignorará o fato de estar em Ilhabela. Alegria e êxtase à mesma proporção do volume do som e do teor de tóxicos no sangue e na alma do sujeito. Os verbos do turista são festejar e, como diz a moçada, causar (outrora conhecido como “gazetear”).

terça-feira, março 03, 2009

O ralo de Ilhabela

esgoto praia

Meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

O mar não suporta tudo. O Canal de São Sebastião, dadas suas características geográficas, suporta menos ainda. A ausência de mar aberto no lado mais povoado de Ilhabela nos leva a depender do regime de marés para dissipar o esgoto que chega ao mar. Nem sempre ele se dissipa; às vezes o esgoto fica passeando entre as praias banhadas pelas águas do Canal de São Sebastião. A única vantagem desse estado de coisas é que aqui o cocô sempre bóia e o mar sempre fede, denunciando os maus tratos constantes. O Canal de São Sebastião é um ralo sem sifão. No lado urbano de Ilhabela não há mar aberto que permita dissolver o esgoto antes que ele seja notado; ele sempre será notado — visto, aspirado, engolido, sentido na pele. Não há miopia, ignorância ou incompetência que impeçam o sujeito de notar a decadência das praias ilhabelenses ou que possam torná-lo imune à micose.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Miudezas da Câmara

ilhabela vila


Logicamente nem tudo se resume a miudezas, mas tenho observado as ações recentes da Câmara e tenho ficado surpreso com a insistência de alguns vereadores em ações como

-- Reinício de obras de pavimentação na Rua da Senzala
-- Manutenção, limpeza e extensão da rede elétrica na SP 131
-- Transformar “pedras do sino” em Patrimônio Histórico


(trechos dos títulos das notícias recentes da Câmara)

Nada contra as miudezas e eu sei que essas ações são, muitas vezes, parte do compromisso que alguns vereadores assumiram com suas respectivas comunidades.

O que me incomoda é que enquanto isso questões fundamentais para todo o município simplesmente não são discutidas ou resolvidas. Por exemplo: a questão fundiária de Ilhabela, com construções irregulares e graves conseqüências ambientais. Outro exemplo: a violência em Ilhabela está longe de ser um assunto banal. Mais um exemplo: a balneabilidade das praias.

O vereador não precisa ser super pró-ativo, basta fiscalizar a atuação do Executivo, basta acompanhar o andamento de suas ações, basta usar seu nome e status para cobrar ações dos órgãos competentes. Mas, concentrado em miudezas, dificilmente haverá a consciência da importância dos temas que afetam toda a cidade.


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sábado, fevereiro 07, 2009

Preparando a própria forca



Meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

É a moral que leva o empresário a explorar o turismo; a falta de moral leva-o a explorar o turista. A diferença é evidente, mas a confusão entre essas duas atitudes é possível quando o empresário não tem (ou não quer ter) a noção do que a moral representa para seu negócio. Ignorando a moral, o empresário não verá diferença entre explorar a atividade e explorar pessoas; logo estará explorando não só seus clientes, mas também seus funcionários e todos aqueles que de alguma forma poderiam ajudar seu negócio. No início isto poderá elevar o faturamento; com as burras cheias de dinheiro, o empresário pensará que está no rumo certo e continuará a explorar as pessoas. Eventuais problemas com clientes e funcionários serão tratados com a frieza necessária para enxotar e demitir, respectivamente — afinal, todos são livres para buscar outro estabelecimento para consumir ou trabalhar. Não haverá limites para enganar funcionários, modificar salários e contratos e, claro, sapecar calotes a três por dois. Com o tempo, as opções do caloteiro explorador diminuirão e o bom nome tornar-se-á cada vez mais rarefeito. Mas é surpreendente a tolerância que a sociedade tem com esses indivíduos. (...)


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Esta discussão pode ser um bom complemento a este artigo.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Fim de janeiro

estátua ilhabela

A estáuta da rotatória -- por Michelangelo, o que é aquilo?!? Vereadores ilhabelenses discutem a retirada da estátua e há quem diga que se trata de discussão sem importância, que há prioridades maiores. Há, sem dúvida, mas a mancha à porta da cidade também é assunto importante. Símbolos têm um peso difícil de medir sobre o imaginário dos habitantes de uma cidade.

Imagine o Rio de Janeiro sem o Cristo Redentor, ou Nova York sem a Estátua da Liberdade. Logicamente estes símbolos nem sempre estiveram lá, mas uma vez instalados, ajudaram na construção de uma identidade nos moradores daquelas cidades.

Não acho que seja prioridade substituir a estátua -- que pretendia representar um caiçara --, mas considero prioritário tirá-la de lá. Vai que as pessoas começam a se identificar com o monstrengo.

Confusões no Curral -- a DPNY tornou-se notícia em duas importantes revistas (VejaSP e IstoÉ) por conta de brigas ocorridas nas dependências daquele hotel. Vale a pena ler as duas matérias. De minha parte, espero que tudo seja minuciosamente apurado e os responsáveis sejam punidos.

Desde os anos 80 o Curral tem sido a praia mais badalada de Ilhabela. Criou-se aí um ambiente diferente do das demais praias de Ilhabela, movido a turismo de massas, mesas e cadeiras na areia da praia, muita concorrência entre todos aqueles que tentam se aproveitar financeiramente da grande movimentação comum nas temporadas e feriados.

O que houve na DPNY reflete de algum modo o tipo de ambiente em que o Curral se transformou: uma praia em que, mesmo com areia, sol e mar, as pessoas esquecem que estão em Ilhabela e transformam horas tranqüilas numa busca nervosa por um relaxamento que nunca virá.

Ciclovia -- entre as inúmeras discussões deste primeiro mês de nova gestão municipal, merece destaque aquela sobre a ciclovia. Discutem-se formas de melhorar e ampliar a ciclovia de Ilhabela. Entre as idéias disponíveis, há a perspectiva de desapropriar imóveis na orla (em especial no Perequê e no limite entre Itaguassu e Engenho d'Água) ou construir ciclofaixas. Esta opção se mostra mais viável e prática -- e é a que prefiro, como ciclista e como arquiteto.

Embora pareça assunto menor, a ampliação da ciclovia trará melhores condições para moradores, veranistas e turistas e, claro, reduzirá os problemas no trânsito de Ilhabela, marcado por diversos acidentes de moto e carro, alguns envolvendo ciclistas.

Mar de lama -- com chuva todas as semanas desde outubro, as praias do Canal de São Sebastião têm-se mostrado sistematicamente impróprias para banhos de mar. Isso prova -- como se já não houvesse provas suficientes -- que um dos maiores problemas para as duas cidades banhadas pelas águas do Canal é o saneamento básico (ou a falta dele).

A Sabesp tenta fazer sua parte, em vão. A Prefeitura de Ilhabela parece especialmente disposta a melhorar significativamente esse problema a partir deste ano. Trata-se de questão de saúde pública e de economia. Sem mar limpo o turismo torna-se inviável.

Falecimento -- morreu nas primeiras horas da última terça (dia 27 de janeiro de 2009) meu avô Francisco Rocha. Turistas, veranistas e moradores que estiveram em Ilhabela nas décadas de 70 e 80 certamente conheceram o "Seu Chico", como era conhecido meu avô, pioneiro do ramo das farmácias em Ilhabela. Era ele o responsável por tratar turistas pegos por águas vivas ou com espinhos de ouriço no pé numa época em que sua farmácia era parte importante do sistema público de saúde. Em 2007 escrevi este post, que fala um pouco mais sobre ele.
http://ilhabela.blogspot.com/2007/10/planto-de-farmcias.html

O velho Chico fez parte da história de Ilhabela. Ele veio para esta cidade em 1973 e esteve à frente da Farmácia e Drogaria Esperança até o início da década de 90, quando se aposentou e passou a direção do negócio para os filhos.

Meu avô havia completado 86 anos no dia anterior ao seu falecimento. A fragilidade de seus últimos anos esconde uma vida vivida intensamente, com lutas e vitórias constantes, realização e plenitude.

Que fique com Deus e descanse em paz.

sábado, janeiro 24, 2009

O espírito da coisa


A verdade é que esta cidade não produz nada. As pessoas vêm para cá, divertem-se, consomem, produzem lixo e esgoto e vão embora — ou permanecem, para continuar fazendo essas coisas pelo tempo que seu apreço por este lugar perdurar. Tudo se resume a isso. Quase todas as pessoas que aqui vivem dedicam-se a tornar esse processo cada vez mais fácil: quanto mais pessoas vierem, maior será o faturamento, maior será a prosperidade superficial que nada devolve de positivo para o arquipélago. A verdade é que este lugar estaria melhor sem nós, sem o turismo, sem ruas rasgando-lhe o tecido, sem construções que demandam desmatamento, sem o esgoto que polui o solo e as águas, sem ocupações ordenadas ou desordenadas, sem a pressão sobre os limites de áreas preservadas e frágeis.
Leia na íntegra meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Verão em Ilhabela: só para turistas


Tudo tem um preço, mas em Ilhabela isso pode ser bem pior.

Escrevi isto hoje na comunidade Ilhabela do Orkut:
Estive num restaurante de Ilhabela em novembro último. Consternado e contrariado, paguei R$3,00 por um latinha de refrigerante -- porque a sede e o momento pediam. No mesmo restaurante, neste verão, constato que a mesma bebida -- uma coca comum -- havia saltado para R$4,50. E uma reles garrafinha de água mineral beirava os R$4,00 -- algo que pode ser comprado em qualquer mercado por menos de R$1,50.

Eu gostaria de entender o que leva a isso. Sei que pesa muito a questão oferta x demanda e é natural que num restaurante uma bebida custe um pouco mais do que custaria num mercado, por exemplo. O que me deixa encafifado é que no mercado uma garrafa de água que custa, suponhamos, R$1,50, obviamente tem embutido nesse preço o lucro que o mercado terá, que em produtos desse tipo beira os 100%. Se esse mesmo produto que no mercado é vendido por R$1,50 é vendido por R$4,00 no restaurante, isto significa um lucro muitas vezes maior do que aquele obtido pelo mercado.

Alguns donos de restaurantes poderiam argumentar que isso se deve ao fato de que os custos de um restaurante serem maiores e os ganhos serem inconstantes (sazonais), enquanto que um mercado proporcionalmente tem custos menores e faturamento o ano todo. Mas eu vejo que esse tipo de argumentação -- se realmente existe e procede -- é usada para sustentar certos abusos.

Além do abuso que uma lata de bebida a R$4,50 significa, há também o fato de que isso praticamente afasta os moradores desses estabelecimentos, dado que a maioria dos moradores não tem o mesmo poder aquisitivo da maioria dos turistas que vêm para Ilhabela no verão. Isso não era para ser um problema sério, mas a presença constante dos moradores nesses estabelecimentos poderia justamente reduzir o problema da sazonalidade que esses mesmos estabelecimentos enfrentam fora das temporadas.

Não pretendo postular que regras devem ser criadas etc. etc., mas de minha parte simplesmente não vou mais a esses estabelecimentos ou, se vou, simplesmente não consumo nada cujo preço considero abusivo.

Ilhabela tem restaurantes ótimos com pratos excelentes e, de um modo geral, preços razoáveis pela qualidade desses pratos e de seus serviços, mas o abuso nos produtos cujos preços as pessoas raramente verificam nos cardápios (bebidas, principalmente) mostra o nível e as intenções dos gerentes. Todo garçom, aliás, é instruído a perguntar quatrocentas vezes se o cliente quer beber alguma coisa. Claro, bebida dá mais lucro que comida para os restaurantes.

(...) A oferta e a demanda explicam isso -- e a grande presença de turistas reforça a tese. O ponto importante é que isso não torna os preços justos. Oferta x demanda explicam, mas não justificam -- e acima do mercado pode estar o bom senso do comerciante (para cobrar preços justos) e do consumidor (de simplesmente recusar preços abusivos, mesmo podendo pagar por aquilo).

Eu não questiono valores de pratos (v. post do Eugen), porque sei que se trata de criação/produção particular. Vejo a gastronomia como uma espécie de artesanato, e o artista tem o direito de cobrar o que quiser. Se se trata de um PF ou de um lanche, a coisa muda de figura. Um x-burguer, a despeito das variações possíveis, sempre será um x-burguer e é razoável que o preço varie pouco.

De forma análoga citei o caso das bebidas -- uma coca em lata é uma coca em lata em qualquer lugar, seja no Aracati, no Free Port ou no DPNY. Muita coisa explica diferenças enormes de preço entre esses estabelecimentos, mas o que justifica essas diferenças? Nada.
Desnecessário comentar aqui o que escrevi por lá, mas talvez outros consumidores e alguns empresários queiram comentar esse assunto. Para isso, sirvam-se da área de comentários.

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sexta-feira, janeiro 09, 2009

Bons ventos



"No primeiro fim de semana de 2009, a solução mais genial para a fila recorde foi dar meia volta e aproveitar mais um dia em Ilhabela — em outras palavras, simplesmente estar no arquipélago. Quem permaneceu na fila já estava longe de Ilhabela, em algum lugar do continente."


Clique aqui para ler na íntegra meu artigo mais recente publicado no jornal Canal Aberto.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Aviso

Os links dos artigos indicados neste blog referem-se ao endereço antigo de meu site, já desativado. Por isso, eles não funcionarão.

Todos os artigos aqui indicados podem ser encontrados agora em meu novo endereço:

christianrocha.wordpress.com

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À parte isso, as atualizações neste blog continuarão normalmente -- às vezes esparsas, mas continuarão. Em breve postarei o link para o artigo desta semana.

A todos que me acompanham aqui, muito obrigado.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Qual a surpresa?


De cima é até bonito.


Você se surpreende com as 9 horas de fila para a balsa, com os congestionamentos, com os assaltos, com o excesso de gente até para fazer xixi, com as praias bosteadas, com os barcos disputando espaço com os jet-skis disputando espaço com os banhistas disputando espaço com as mesas disputando espaço com os cachorros. Você se surpreende com tudo isso e não consegue ver, lá atrás, o começo disso tudo?

Na década de 80 já se anunciava que os próximos verões seriam exatamente como este têm sido.

O que me surpeende mesmo é tanta gente se surpreendendo porque descobriu que 1+1=2. Minha avó já dizia que quem planta vento colhe ventania.

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sexta-feira, dezembro 26, 2008

Feliz 1989

pequea

Chega o fim do ano e inevitavelmente as pessoas fazem planos e balanços, que incluem uma análise dos meses que passaram, das ações e realizações. Realismo é sempre bem-vindo; não é possível querer já no próximo ano tornar-se o presidente de uma grande corporação se ao longo deste ano você nem sequer concluiu os estudos. As pretensões podem ser grandes, mas tudo tem seu próprio tempo. Entre concluir os estudos e tornar-se presidente de uma grande corporação existem etapas que precisam ser cumpridas necessariamente. O que diferencia o zé ninguém do sujeito bem-sucedido é essa noção de ordem dos fatores, de crescimento progressivo, de dependência daquilo que se realizou antes.

Leia na íntegra meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Crianças mimadas II


Suponhamos que você discuta com seu vizinho porque ele ouve música alta nas horas mais inconvenientes do dia e da noite. O som do vizinho não deixa você dormir em paz, atender o telefone ou ver TV. Você tenta conversar com ele, sem resultados. Sem chances de uma solução pacífica, você decide recorrer à polícia e descobre que pouca coisa pode ser feita. Inconformado, você decide apelar à Câmara Municipal e se desdobra para colocar em discussão um projeto de lei que obrigue todos ao silêncio — inclusive seu vizinho.

Leia na íntegra meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

sábado, novembro 22, 2008

Quase Verão

turismo de massa

--- Os lemas do verão 2008-2009 poderiam ser silêncio e civilidade. De outra forma, Ilhabela continuará sendo apenas mais um destino turístico entre tantos outros onde sobra babaquice.

--- Quantidade e qualidade geralmente estão em proporção inversa; isto é especialmente válido para o turismo e para o trânsito. Pense nisso antes de se chafurdar na alta temporada.

--- O poder público pode fazer muito, mas não pode fazer tudo -- mesmo em benefício próprio. O indivíduo pode fazer quase nada, mas pode fazer alguma coisa -- mesmo em benefício de todos.

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