domingo, março 30, 2008

Panorâmica



Criei uma conta no Flickr, onde a partir de hoje adicionarei algumas imagens de Ilhabela. Muitas delas estão sendo usadas na pesquisa que estou desenvolvendo para o mestrado na FAU-USP.

O álbum com imagens de Ilhabela pode ser visto aqui: http://www.flickr.com/photos/christiandrs/sets/72157604314778133/

sexta-feira, março 28, 2008

Gandalf para prefeito



Leia na íntegra meu artigo da quinzena no jornal Canal Aberto.

Eu ainda me surpreendo ao ver que as pessoas crêem de verdade que coligações são coisas bacanas demais; que o que acontece entre quatro paredes legislativas ou executivas é mais importante do que aquilo que acontece fora, todos os dias; e que assinaturas e canetadas valem mais do que aquilo que é feito nesta cidade, inclusive quando as repartições públicas estão fechadas e os fiscais dormindo. Cria-se assim a impressão — falsa, é claro — de que um prefeito é uma espécie de Gandalf, o mago de «O Senhor dos Anéis»: um sábio de poderes mágicos que resolverá todos os problemas com um golpe de cajado. Você realmente acredita que política se faz com garganta e caneta? Me poupe. Isso é politicagem em sua pior forma, não política. Você já viu esse filme e sabe que o final é sempre lamentável.


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Original da imagem aqui.

domingo, março 16, 2008

Não há vagas

Você acha que as praias de Ilhabela estão cada vez mais lotadas nos feriados e temporadas? Você precisa conhecer a praia de Haeundae, na Coréia do Sul...

coréia do sul

(Clica na imagem para ver outras fotos desta praia e para ver a foto deste post em versão ampliada)

sexta-feira, março 14, 2008

Os donos da ilha

caiçara

Vi ontem o documentário «Os donos da ilha», que pode ser visto no You Tube, dividido em três partes:

Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=M1EykaWSz7o
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=erGPOYbFu3M
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=srNQyv2c2RA

Algumas impressões:

1) Assistam. Não é um documentário completo (principalmente por ser breve), muito menos conclusivo, mas é fundamental para quem quer tentar compreender a questão da cultura caiçara e sua presença no arquipélago.

A partir daqui meus comentários citarão trechos do documentário. Talvez você prefira assisti-lo para depois ler o restante deste post. Ou não.

2) É um documentário pessimista. A impressão que se tem é que a cultura caiçara se perdeu e não há solução. Bem, a cultura caiçara se perdeu (isto é um fato) e realmente não há solução (isto já é opinião). Na verdade, a cultura não é algo que se «perde». Perdem-se costumes, tradições são deixadas de lado e, afinal, a cultura se transforma. O fato é que o caiçara deixou de ser o habitante típico do litoral. Ilhabela, como a maioria das cidades do litoral, é formada hoje por migrantes -- paulistas da Grande São Paulo, mineiros e baianos, entre outros. Existe em Ilhabela forte influência da cultura que essas pessoas trazem para cá, sem falar no próprio impacto sócio-cultural que o próprio turismo traz para o arquipélago.

3) Pessimismo não é realismo. Realismo incluiria mostrar o outro lado de uma situação que parece não ter solução. As tradições caiçaras estão se perdendo? Sim. A cultura caiçara está desaparecendo? Não. Ela está se transformando. Para compreender o que essas transformações significam é necessário analisar o impacto de tradições perdidas, da cultura que influencia a cultura caiçara e dos valores que são trazidos de fora. Através dessa análise pode-se avaliar uma situação.

4) Um dos itens dessa análise é a relação do homem com o mar e com a terra. Os caiçaras relacionavam-se com o mar e com a terra de uma forma mais próxima porque dependiam deles para viver. Nós hoje também dependemos, mas temos dificuldade em ver e compreender essa dependência. É claro que isso foi uma perda, que trouxe mais danos do que benefícios. Uma questão que se pode desenvolver é como fazer com que esses benefícios ajudem na reparação dos danos -- e esta questão não é diferente daquelas propostas nas discussões ambientais acerca da sustentabilidade. Ganhar-se-ia muito, portanto, colocando pés no chão e avaliando a situação tal como ela é hoje, não como ela pode ser daqui alguns anos.

5) A respeito disso, aliás, uma «dica» foi dada quase sem querer pelo grande Mazinho, que aparece em alguns momentos do documentário. Ele diz algo como «ainda bem que tem marina, o Yacht Club, a balsa, senão esse pessoal [pescadores] estaria todo sem trabalho», sem perceber a ligação entre os fenômenos que prejudicam a pesca e outras tradições caiçaras e os fenômenos que levam à construção de marinas e ao aumento do número de embarcações de recreio no arquipélago. É sempre uma faca de dois gumes. O desenvolvimento escasseou os cardumes, mas trouxe emprego. Estes empregos não têm relação direta com a cultura caiçara, mas são bons. Ao mesmo tempo são sintomas de um processo que ajudou a degradar a cultura e as tradições. Uma questão que se coloca é se o que acontece aqui não faz parte de um processo muito mais amplo, comum ao restante do país e do mundo.

6) O documentário é fundamental não por fazer um alerta sobre algo que pode acontecer, mas sobre algo que já aconteceu e que é a realidade neste momento. Eu gostaria que ele fosse visto sempre desta forma. O problema é que a maioria das pessoas pensa: «Puxa, a cultura caiçara está se perdendo». Não, ela já se perdeu. Que ela exista ainda em algumas pessoas e em algumas festas folclóricas e religiosas, é mero acaso, mera sorte. O que devemos perguntar -- individualmente, para início -- é o que é cultura, o que ela representa para você e, afinal, por que as tradições são importantes. Não adianta suspirar pela perda de algo que você só valorizou como souvenir. Se isso não for feito, nenhuma cultura será valorizada, nem a caiçara, nem a nossa própria cultura, que é o que nos permite viver com alguma lucidez.

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Original da imagem aqui.

quarta-feira, março 12, 2008

Para entender a balneabilidade das praias



Num tópico na comunidade Ilhabela no Orkut perguntaram sobre os critérios e a lógica que poderia haver nas avaliações de balneabilidade das praias de Ilhabela, feitas pela Cetesb.

Há praias visivelmente impróprias que são vistas com bandeiras verdes, enquanto praias tradicionalmente boas -- ou, pelo menos, que costumam ser reconhecidas como de boa qualidade -- têm bandeiras vermelhas.

A resposta que adicionei ao tópico, toda ela baseada nas informações que a própria Cetesb transmitiu numa audiência pública ocorrida no ano passado, pode eliminar algumas dúvidas.

Sobre este assunto, escrevi isto um tempo atrás:
http://ilhabela.blogspot.com/2006/06/matando-o-mensageiro.html
http://ilhabela.blogspot.com/2007/05/quero-minha-praia-de-volta.html

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Na audiência a que me refiro no primeiro texto, pessoal da Cetesb veio esclarecer como eram feitos os levantamentos. Alguns intens importantes da explanação oferecida:

1) Existe um «lag» entre a coleta de amostras e a colocação da bandeira. Este «lag» se deve ao fato de que as amostras são levadas para São José dos Campos, onde são analisadas. Os resultados demoram cerca de um dia para serem obtidos. Leva mais um tempo até que funcionários da Cetesb voltem ao litoral para colocar as bandeiras. Naturalmente, dispõe de poucos funcionários para todo o litoral norte, o que torna o processo ainda mais lento.

2) A qualidade da água varia muito mesmo em uma mesma praia -- ainda que seja pequena. Há trechos em que o esgoto rola solto, como todos sabemos. Contudo, dependendo da correnteza, esse esgoto tanto pode se dissipar rapidamente e nem chegar ao ponto onde são colhidas as amostras como pode ficar todo acumulado na orla de toda a praia. Pode acontecer também do esggoto derramado numa praia acumular-se em outra praia tida normalmente como limpa e própria.

3) O regime de chuvas é um fator que influencia muito a qualidade das praias. Um período de seca melhora sensivelmente a qualidade das águas. Basta chover para descer esgoto e sujeira para o mar. Novamente, vale aqui o que foi dito sobre o «lag»: bandeiras verdes podem ser vistas em períodos de chuva, de mar lamacento; enquanto que em períodos de seca as bandeiras vermelhas podem ser vistas às vezes, a despeito da boa aparência das águas.

4) O levantamento da Cetesb pretende -- palavras dos próprios profissionais na audiência pública -- ser apenas um referencial, não um atestado 100% seguro da qualidade da praia. A presença ocasional de uma bandeira vermelha significa que aquela praia está sujeita a quedas na qualidade. IMHO, isso já é alerta suficiente.

Na ocasião da audiência os próprios vereadores questionaram a possibilidade de haver alguma má intenção dos profissionais da Cetesb. A explicação deles eliminou qualquer mal-estar.

O que há, como talvez tenha ficado claro no texto «Matando o mensageiro» é um interesse local em que os boletins «negativos» não sejam divulgados. Há diversas ocorrências de bandeiras vermelhas que foram roubadas das praias e a impressão que algumas pessoas têm é que a Cetesb se coloca «contra» o município quando divulga boletins que revelam a qualidade decadente de nossas praias.

As praias não são sujas por elas mesmas, por razões naturais -- embora isso possa ocorrer também. Em Ilhabela, o que estraga as praias é o esgoto. Por isso a chuva é um fator decisivo: basta chover para o esgoto descer para as praias e torná-las impróprias.

Podem tentar culpar a Cetesb por divulgar os boletins de balneabilidade, podem querer culpar São Pedro, mas o fato é que a cidade está estragando as praias.

Se não é possível evitar que os rios e córregos corram para o mar, talvez seja possível evitar que o esgoto chegue a eles.


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Original da imagem: acervo do autor.

sábado, março 08, 2008

Sobre as mudanças neste blog

Como muitos notarão, o layout deste blog foi modificado novamente. Com algum tempo e paciência descobri os novos recursos do Blogger (alguns nem tão novos assim; apenas novos para mim, que raramente estava atento a eles). Por partes:

1) A imagem do topo é da Ponta do Pequeá -- fotografia que tirei cerca de um mês atrás. Além do significado pessoal que esse lugar tem, escolhi essa imagem por causa de sua pouca exuberância, comparada com as «imagens de poster» que a maioria das pessoas escolhe para representar Ilhabela. Autenticidade é uma virtude e é bom que as imagens correspondem àquilo que o lugar é. A meu ver, Ilhabela é tal como a imagem do topo deste blog mostra: um lugar mais sereno do que exuberante, mais normal do que extraordinário -- e são estas qualidades que o tornam especial, humano e próximo dos pés e dos olhos de quem vive nele.

2) Todo mês (espero) este blog terá uma enquete diferente. Participem e dêem sua opinião aí na barra lateral. A primeira enquete deste blog, como vocês podem notar, trata de política e dos principais problemas de Ilhabela.

3) Escolhi o padrão «Georgia» para as fontes para dar um aspecto mais formal ao blog. Naturalmente não espero com isso ser levado mais a sério; apenas gostaria que as fontes e o aspecto geral do blog transmitisse o tipo de reverência que tenho para com este lugar e os problemas que o afligem.

4) Como de costume, continuo receptivo a sugestões. Se você as tiver ou se quiser comentar algo, tecer críticas ou simplesmente descer o malho, sirvam-se das caixas de comentários dos posts deste blog ou enviem-me um e-mail em christian arroba gropius ponto com.

sexta-feira, março 07, 2008

Não diga que é impossível

vila ilhabela

Artigo da quinzena no jornal Canal Aberto.

Quando uma pessoa pública declara que uma determinada ação necessária para o bom funcionamento da cidade é impossível de se realizar, eu lembro do médico que desenganou o paciente que contraiu uma gripe. A atitude digna do profissional é buscar soluções e, quando elas não existem, pesquisá-las e criá-las. Sempre haverá uma solução e será razoavelmente fácil desenvolvê-la quando se tenta oferecer uma resposta sincera a um problema, mesmo que ele pareça insolúvel.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Cidades para bicicletas, cidades de futuro

urban cyclist

Estou disponibilizando para download a publicação da Comissão Européia para Meio Ambiente sobre bicicletas e a importância desse meio de transporte para o desenvolvimento sustentado das cidades. O título da publicação é o título deste post. Trata-se de uma obra lúcida e objetiva, que demonstra -- para quem ainda tem dúvidas -- que a qualidade urbana depende da utilização de meios de transporte tidos hoje como "alternativos". Naturalmente, a bicicleta é um desses meios e talvez aquele que concilie melhor a necessidade de deslocamento com a necessidade de planejar e melhorar o ambiente urbano.

A publicação fala ainda das vantagens econômicas do uso de sistemas de transporte alternativos e de como o carro pode ser um tiro pela culatra no que diz respeito à rentabilidade e à funcionalidade das cidades.

A todos aqueles que pretendem fazer algo por Ilhabela, que gostariam de resolver as questões viárias da cidade (que já se tornaram há tempos um problema sério de saúde pública, com mortos e acidentados) e que, ao mesmo tempo, se dizem de mãos atadas, a leitura desta publicação pode ser um bom começo.

Para baixar a obra em formato PDF (que pode ser lida pelo Acrobat Reader ou pelo Foxit Reader), basta acessar este link:
http://www.4shared.com/file/39093412/a554f56b/Cidades_para_bicicletas_-_CE.html

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Original da imagem aqui.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

A matemática da preservação



Ilhabela, cidade campeã de preservação da Mata Atlântica

Quantas vezes você já ouviu ou leu isso? Façamos algumas contas para saber o que isso significa.

O arquipélago de Ilhabela tem 348 km² de área. Desse total, estima-se que 83% estejam preservados.

O Parque Estadual de Ilhabela, que integra a ZRT (Zona de Restrição Total) do arquipélago, corresponde a 78% da área total do arquipélago.

Agora considere o seguinte:

Área total do arquipélago de Ilhabela: 100%
Mata atlântica preservada: 83%
Parque Estadual de Ilhabela: 78%

Considerando que o Parque Estadual é responsabilidade do Governo do Estado e é protegido pelo decreto estadual nº 9414, de 20 de janeiro de 1977, estes números equivalem a dizer que, de um total de 83% de mata atlântica preservada, apenas 5% estão efetivamente no município de Ilhabela, isto é, sob responsabilidade do poder público municipal.

Se a área do município fora do Parque Estadual equivale a 22% de todo o arquipélago, percebemos que a preservação no município é muito menor do que se imagina, menos de 1/4 da área que efetivamente pertence ao município.

Naturalmente, temos que considerar o fato de que dentro desses 22% está situada a cidade -- com casas, comércio, ruas etc. Mesmo assim, são números bastante reveladores, que dão outro aspecto aos índices de preservação de mata atlântica no arquipélago.

Eu já havia falado disso antes. Desta vez, com números, fica mais difícil ter dúvidas da importância do Parque Estadual para o arquipélago e da participação do município -- sociedade civil e poder público municipal -- na preservação do meio ambiente. Não que estas coisas não possam ser percebidas sem os números, mas diante deles não há muito o que discutir. Há, sim, muito para fazer.

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Original da imagem aqui.

Pague para estacionar

Poucas pessoas sabem, mas os parquímetros instalados na Vila são provisórios. Estão em fase de testes e deverão ser substituídos em breve por um modelo mais elegante, moderno e definitivo:



Em breve, muito em breve, dizer que "usar carro em Ilhabela é um jogo de azar" não será mera força de expressão.

sábado, fevereiro 23, 2008

Coragem e bicicletas



Meu artigo da quinzena no jornal Canal Aberto.

Seria bom se as bicicletas fossem tratadas com algum respeito. Primeiro, pelas razões de sempre: bicicleta não polui, não faz barulho e não causa congestionamento. Segundo, porque manter uma ciclovia é mais simples e mais barato do que manter ruas e organizar o trânsito de carros, ônibus, caminhões e motos. O dinheiro gasto com pavimentação, fiscalização e reparos em ruas e avenidas é bem maior do que aquele necessário para fazer as mesmas coisas em ciclovias.

Terceiro, as intenções de melhorar o trânsito de Ilhabela (vide zona azul, limites de acesso na balsa, taxa ambiental etc.) só serão realidade de fato quando as autoridades (sempre elas) perceberem a importância de diversificar os meios de transporte e a facilidade com que isso pode ser feito com base em coisas simples como coragem e bicicletas, para citar apenas dois exemplos.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

A Web 2.0 ainda não chegou a Ilhabela



Uma das conquistas possíveis com a internet foi o acesso a todo tipo de informação. Praticamente todo o conhecimento humano encontra-se disponível na internet. E se você não encontra uma informação na rede, encontra alguém que sabe onde encontrá-la ou que a possui.

É inadequado falar em tendências neste caso. Tendência é quando fatores externos influenciam ou causam um processo, uma ação etc. No caso da disponibilização de informações pela internet, é questão de sobrevivêncie, não de tendência. É inevitável que todo o conhecimento e todas as informações disponíveis no mundo tenham sua versão digital, acessível em qualquer lugar no mundo que tenha um PC conectado à rede.

Aparentemente essa ficha não caiu para os webmasters da Prefeitura e da Câmara Municipal de Ilhabela. Não é uma questão de fazer sites bonitos -- eu só discutiria estética se tudo o mais estivesse em ótimas condições. É uma questão de acesso a informação e, no caso dos poderes públicos, de transparênciam, eficiência e cidadania.

O site da Prefeitura Municipal de Ilhabela parou em algum momento de 1996. As informações ali contidas resolvem-se facilmente com um blog e um arquivo DOC para download. Faz muita falta, por exemplo, poder acompanhar o andamento de processos ou mesmo iniciá-los via internet. Desnecessário falar da importância de poder acompanhar online a prestação de contas, as licitações, os relatórios e as agendas de cada secretaria. Enquanto em alguns sites é possível comprar carros e fazer aplicações financeiras vultosas, no site da Prefeitura o máximo que se consegue é ver a foto dos secretarios municipais e saber que qualquer tipo de solicitação deve ser feita pessoalmente, em horário comercial, o que quase sempre inclui enfrentar fila no banco para pagar a taxa referente à protocolação do processo. É burocracia demais para um tempo marcado pela facilidade dos cliques.

O site da Câmara Municipal de Ilhabela é mais completo no que diz respeito aos conteúdos. Nele podem ser encontrados projetos de lei e as próprias leis que regem o município, atas das sessões e informações sobre os vereadores em exercício. Apesar do material farto, só é possível navegar pelo site da Câmara com o Internet Explorer; é impossível acessá-lo com os melhores navegadores da atualidade, o Firefox e o Opera. Por que?

Além disso, assim como o site da Prefeitura, o site da Câmara peca por não passar de uma fonte de consulta. Único meio de contato com seu vereador é o e-mail, que raramente obtém resposta (digo-o por experiência própria). É surpreendente que não tenham sido criadas novas formas de interação entre vereadores e eleitores pelo site da Câmara, visto que a maioria pretende se reeleger neste ano.

Em ambos os casos é patente o desinteresse do Executivo e do Legislativo em aumentar a interação com o cidadão e a transparência de seus atos. Que isso aconteça por falta de consciência dos políticos, não surpreende. O que me surpreende é que isso possa acontecer por despreparo dos webmasters.

Se a miséria dos sites da Câmara e da Prefeitura foi determinada por ordem superior, pela limitação de quem os fez ou por algum motivo que não me ocorreu até o momento, é uma dúvida que aguarda resposta.

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Original da imagem aqui.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Um código de obras para Ilhabela



A proposta é absolutamente hipotética, provavelmente inviável e, portanto, está aberta a críticas. Ei-la para quem quiser se divertir, pensar com o travesseiro ou mudar a forma de construir em Ilhabela. Ao vereador que quiser transformar qualquer trecho deste post em projeto de lei, minha gratidão e meu pedido de que entre em contato comigo antes.

1) Toda casa terá um quintal e todo quintal terá pelo menos uma árvore que dê sombra e frutos e onde se possa amarrar um balanço. Em sua forma ideal, a árvore do quintal terá uma casinha (sim, daquelas de madeira, que as crianças adoram), bebedouros e comedouros para pássaros e um cachorro vira-lata solto e sossegadão.

2) Toda casa terá vasos de flores e ervas nas janelas. Fique à vontade para escolher os vasos, as flores e as ervas. Apenas não tente dizer que isso é inglês demais. Também não tente dizer que não pega bem colocar vasos nas janelas da sua casa e que flores e ervas são mero ornamento.

3) Nenhuma casa terá garagem. Obviamente esta proposta é polêmica. No espaço necessário para armazenar (sim, o verbo é esse) um automóvel cabe pelo menos uma dúzia de bicicletas ou uma horta razoável.

4) Toda casa em lote sem árvores será térrea. Nos lotes com árvores, as casas poderão ter dois pavimentos, mas não serão mais altas do que as árvores. Desnecessário destacar a preferência por árvores nativas, que atraem a fauna nativa.

5) Toda casa terá barris nas terminações das calhas, exatamente como se vê nos desenhos de Tom & Jerry e nos quadrinhos de Calvin & Haroldo. Logicamente, os modernos sistemas de aproveitamento de água pluvial são bem-vindos, mas um barril é um barril.

6) O uso de aparelhos sonoros potentes demais deverá ser especificado em memorial descritivo e será acondicionado em cômodo isolado acusticamente. ("aparelhos sonoros potentes demais" são aqueles que produzem som suficiente para você se cansar ao tentar conversar com uma pessoa que está num cômodo em que um desses aparelhos está em pleno funcionamento)

7) Toda casa preverá uma bicicleta para cada morador. Isto implica especificar o lugar em que as bicicletas serão guardadas quando não estiverem em uso e, naturalmente, representá-las no projeto arquitetônico.

8) Toda casa terá um gazebo de dimensões e conforto suficientes para o número de moradores previsto no projeto.

9) A fachada principal terá janelas através das quais seja possível observar o interior desde o exterior e vice-versa.

10) A fachada principal incluirá pelo menos uma obra de arte como forma dos moradores expressarem seu apreço pela cidade.

11) Um quarto do perímetro da casa será aproveitado com varandas cuja área total não será inferior a 1/10 da área total da casa.

12) Toda casa terá lama e poças d'água. A árvore especificada no item 1 terá folhas caducas.

13) A cozinha não será menor do que a sala.


(continua em breve)

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Original da imagem aqui.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Política, mal necessário

Meu artigo da quinzena no jornal Canal Aberto.

"A democracia só é ruim quando as pessoas mais capazes, inteligentes e sábias não participam dela. Participar não significa apenas votar, candidatar-se e ocupar um cargo. Participar da democracia significa oferecer aquilo que você tem de melhor para o bem do lugar em que vive. Noutras palavras, a democracia é feita todos os dias, não apenas a cada dois anos, nas eleições."

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Carnaval 2008

Para quem vive em Ilhabela, como eu, a melhor coisa que se pode fazer nesta época do ano é ir para São Paulo. Olha como o Carnaval lá é bom:



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A todos que têm visitado este blog, muito obrigado.

Depois do feriado teremos mais atualizações.

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Original da imagem aqui.

sábado, janeiro 19, 2008

Aikido Ilhabela

Este pequeno cartaz foi publicado ontem no jornal Canal Aberto (clique na imagem para ampliar). Convido todos a conhecer as aulas de Aikido. E agradeço ao Nivaldo Simões pela gentileza do anúncio.

sábado, janeiro 12, 2008

Caiçaras de alma

caiçara ilhabela

“Quem decide ligar-se desta maneira a um lugar não vê diferenças entre o lugar e sua própria vida. O lugar é sua vida. E sua vida constrói o lugar. Essas pessoas podem não ter nascido aqui, mas são caiçaras de alma”. Artigo publicado no jornal Canal Aberto em 11 de janeiro de 2008.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Irregularidade e ordem

Certas distinções equivocadas são feitas com base na condição econômica das pessoas. Ocupações irregulares são avaliadas desta forma e algumas pessoas chegam a pensar que o problema das casas em faixa de marinha é menos sério porque os abonados proprietários têm o cuidado de não poluir a praia logo adiante. Barracos merecem a severidade irrestrita; mansões, depende.

Ocorre que tanto o barraco na beira do córrego como a mansão em faixa de marinha são construções irregulares. Faixas de marinha e córregos são áreas da União -- isto é, de todos nós -- e de preservação permanente. A diferença é que o barraco limita o uso do córrego porque o polui; a mansão limita o uso da faixa de marinha porque lhe proíbe o acesso com muros de pedra, decks e píers -- sem falar que algumas mansões, sim, poluem o mar.

A irregularidade ocorre nos dois casos. No que diz respeito às construções irregulares, não existe "melhor" ou "menos ruim". Existe aquilo que deve ser devidamente fiscalizado, embargado e, se for o caso, posto abaixo.

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Há também quem diga que o problema só é importante se ele causa poluição ou desmatamento. Daí a condescendência com mansões em faixa de marinha e mesmo com barracos em algumas áreas da cidade. Se as pessoas ocupam irregularmente essas áreas sem causar danos, qual o problema? O problema é a própria irregularidade, o desvio, a contravenção. A regularidade significa documentação completa e impostos em dia. Estas coisas significam que o poder do município está sendo respeitado e que dinheiro público está sendo colhido e, sobretudo, utilizado adequadamente. Regularidade é ordem e nada é mais necessário do que isto em dias de hoje.

Um município em ordem é a garantia de que amanhã um sujeito qualquer não tentará se apossar de sua casa ou construir um arranha-céu ao lado dela. Ordem é também igualdade. No caso de Ilhabela, a igualdade desejada é aquela que permite a todos o acesso ao patrimônio natural do arquipélago. O problema surge quando alguns o poluem e ninguém mais pode usá-lo; quando alguns o cercam e ninguém mais pode acessá-los; quando alguns o destróem e ninguém mais pode sequer vê-los ou levá-los na memória.

sábado, dezembro 15, 2007

Bom exemplo de mau exemplo

heavy traffic

Meu artigo desta semana no jornal Canal Aberto.

As pequenas cidades brasileiras têm nas metrópoles um bom exemplo de mau exemplo. A certeza de que o carro — o transporte individual — é um modelo condenado ao fracasso e que ao mesmo tempo condena a cidade a congestionamentos intermináveis deveria ser razão suficiente para as cidades pequenas se dedicarem mais a soluções alternativas, mais baratas e menos poluentes.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Meus artigos no jornal Canal Aberto

Quase todos os meus artigos no jornal Canal Aberto e outros artigos interessantes podem ser lidos aqui.

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Reconheço que este blog está às traças e confesso que Ilhabela tem me interessado pouco além daquilo que me é necessário para levar minha pesquisa adiante. Alguns já devem saber, outros não: há quase dois anos Ilhabela tem sido objeto de minha dissertação de mestrado. É necessário, por isso, uma focalização nas reflexões e nos escritos. Nem tudo que tenho pensado e escrito sobre Ilhabela me parece interessante para ser compartilhado aqui. Ao mesmo tempo, atualidades "atuais demais" como a discórdia entre os prefeitos de São Sebastião e Ilhabela, a nova temporada de navios, as perspectivas para o verão 2007-2008 etc. têm me interessado muito pouco porque não têm a extensão e o peso necessários para que eu me abale por elas, para que eu perceba que elas realmente são decisivas para Ilhabela.

Em momento oportuno devo compartilhar com os 6 leitores deste blog o que tenho escrito para meu mestrado. Até lá peço paciência, agradeço as visitas constantes e prometo ao menos repassar os poucos artigos que tenho escrito para o jornal Canal Aberto e em que me permito pensar com mais cuidado e mais amplitude neste lugar.

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Alguns avisos:

- O visual deste blog mudou, como muitos podem ter notado.

- Alguns links foram adicionados à lista aí ao lado. Recomendo fortemente que vejam o site do grupo de Aikido de Ilhabela, um grupo pequeno que se dedica ao estudo e à prática de uma das mais interessantes artes marciais existentes. Recomendo também que conheçam o blog da tecelã Maya Woolley e o do músico Paulo Prestes e agradeçam por Ilhabela ainda ter gente assim.

- Algumas funções foram adicionadas, outras excluídas. Entre as modificações, os comentários agora só podem ser feitos por quem tiver uma conta no Google/GMail. Embora poucos comentários estivessem sendo postados, era grande a proporção de comentários anônimos -- e isso prejudica qualquer blog. Se você não tiver uma conta no Google e mesmo assim quiser comentar algo deste blog, pode enviar um e-mail para

christian[arroba]gropius[ponto]org

A todos, muito obrigado.