Foram definidos os candidatos a prefeito nas eleições deste ano em Ilhabela. Em parênteses, os respectivos candidatos a vice-prefeito. A ordem dos nomes é aleatória.
- Luiz Lobo (Zé Brandão)
- Simões (Nenê Guarubela)
- Joadir (Ricardo Fazzini)
- Colucci (Nuno Gallo)
Aproveite para participar da enquete aí ao lado: em quem você pretende votar?
quarta-feira, julho 23, 2008
sexta-feira, julho 11, 2008
Ilhabela tem cultura (pelo menos por enquanto)
Nada, absolutamente nada contra eventos patrocinados por gente de fora e que só ocorrem em função de eventos maiores, de projeção regional ou nacional. A programação da Semana de Vela este ano está excelente. O show de ontem, com Ulisses Rocha, foi excelente. O cinema na Praça da Bandeira foi uma idéia genial. Etc. etc. etc.
O único porém não se refere a essa iniciativa -- louvável e elogiável -- mas ao contraste entre o que é agora e o que será depois, entre o que acontece pela força da iniciativa externa e o que não se faz por fraqueza interna.
Já faz tempo que Ilhabela carece de atividades culturais consistentes. Que os eventos patrocinados pela Vejinha inspirem poder público e iniciativa privada daqui a fazer mais por este lugar, independentemente de datas e estações. E, principalmente, que isto não inclua os foguetórios da temporada de navios.
O único porém não se refere a essa iniciativa -- louvável e elogiável -- mas ao contraste entre o que é agora e o que será depois, entre o que acontece pela força da iniciativa externa e o que não se faz por fraqueza interna.
Já faz tempo que Ilhabela carece de atividades culturais consistentes. Que os eventos patrocinados pela Vejinha inspirem poder público e iniciativa privada daqui a fazer mais por este lugar, independentemente de datas e estações. E, principalmente, que isto não inclua os foguetórios da temporada de navios.
Marcadores:
cultura,
ilhabela,
semana de vela,
vejinha
domingo, junho 29, 2008
Coligações e outras sujeiras
Meu artigo da quinzena no jornal Canal Aberto.
Nenhum político quer encontrar a Verdade e tornar-se politicamente nulo. Os objetivos são bem outros e eles serão levados a cabo, mesmo que em detrimento de interesses públicos que ultrapassam com folga uma simples carreira política. Para essas pessoas, nomes, legendas e coligações valem muito mais do que Ilhabela.
sexta-feira, junho 27, 2008
O futuro de Ilhabela
Por favor, reflita sobre as seguintes frases por alguns instantes antes de ver as imagens a seguir. É fundamental que a leitura e a reflexão antecedam a observação. Se quiser, sinta-se à vontade para retornar a estas frases depois de ver as fotos.
Se queres prever o futuro, estuda o passado.
Confúcio
O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.
Gandhi
Somos o que fazemos constantemente. Portanto a excelência não é um ato, mas um hábito.
Aristóteles
*
Brasil, séc. XXI:












*
Algumas palavras sobre as imagens acima:
Estas imagens foram colhidas quase aleatoriamente, pinçadas aqui e ali de sites que tratam de problemas urbanos diversos, tais como violência urbana, poluição, trânsito etc. Não são exclusivos da capital paulista, embora todos esses problemas possam ser observados nessa cidade.
Quis reuni-las neste post não para causar mal-estar a pessoas mais acostumadas às coisas boas de Ilhabela, mas para alertá-las de duas coisas:
1) Ilhabela já possui todos os problemas mostrados nessas fotos -- certamente em menor grau, mas os possui, todos, sem exceção. Mantidas as dinâmicas urbanas atuais, é questão de tempo até que Ilhabela encontre condições de figurar nesta lista de horrores.
2) Os maus exemplos estão dados. Como sugere a frase de Confúcio, não é difícil perceber aonde chegaremos com as ações que fizemos e que temos feito. Resta perguntar se queremos chegar ao mesmo ponto em que se encontra a capital paulista, por exemplo. Resta perguntar, afinal, o que queremos.
.
Clicando na imagem você vê o site em que ela foi obtida.
Se queres prever o futuro, estuda o passado.
Confúcio
O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.
Gandhi
Somos o que fazemos constantemente. Portanto a excelência não é um ato, mas um hábito.
Aristóteles
*
Brasil, séc. XXI:
*
Algumas palavras sobre as imagens acima:
Estas imagens foram colhidas quase aleatoriamente, pinçadas aqui e ali de sites que tratam de problemas urbanos diversos, tais como violência urbana, poluição, trânsito etc. Não são exclusivos da capital paulista, embora todos esses problemas possam ser observados nessa cidade.
Quis reuni-las neste post não para causar mal-estar a pessoas mais acostumadas às coisas boas de Ilhabela, mas para alertá-las de duas coisas:
1) Ilhabela já possui todos os problemas mostrados nessas fotos -- certamente em menor grau, mas os possui, todos, sem exceção. Mantidas as dinâmicas urbanas atuais, é questão de tempo até que Ilhabela encontre condições de figurar nesta lista de horrores.
2) Os maus exemplos estão dados. Como sugere a frase de Confúcio, não é difícil perceber aonde chegaremos com as ações que fizemos e que temos feito. Resta perguntar se queremos chegar ao mesmo ponto em que se encontra a capital paulista, por exemplo. Resta perguntar, afinal, o que queremos.
.
Clicando na imagem você vê o site em que ela foi obtida.
Marcadores:
citações,
ilhabela,
problemas urbanos
quarta-feira, junho 11, 2008
Faz diferença?
Olhe bem estas fotos:





(Clica nas imagens para ver as versões originais e saber mais sobre os respectivos autores. Recomendo.)
Olhou bem? Então responda: faz diferença? A paisagem de Ilhabela é exuberante, mas de que forma ela participa da sua vida? Ou não participa?
Para quem apenas passa uns dias por aqui, não há nada errado em manter essas paisagens na memória e nos álbuns de
fotos. Para quem vive aqui, é estranho que toda ess beleza funcione apenas -- no máximo -- como cenário para deslocamentos e demais atividades. É estranho que se viva aqui exatamente como se viveria em qualquer outro lugar -- como se essas paisagens não existissem, como se elas não fossem espetaculares, como se, afinal, a cidade e as paisagens e o seu dia-a-dia não fossem uma única e mesma coisa.
Então, se você vive em Ilhabela, olhe novamente as fotos acima e me responda: elas fazem alguma diferença? É importante para você viver num lugar bonito ao ponto de emocionar? Ou você já nem nota isso?
(Clica nas imagens para ver as versões originais e saber mais sobre os respectivos autores. Recomendo.)
Olhou bem? Então responda: faz diferença? A paisagem de Ilhabela é exuberante, mas de que forma ela participa da sua vida? Ou não participa?
Para quem apenas passa uns dias por aqui, não há nada errado em manter essas paisagens na memória e nos álbuns de
fotos. Para quem vive aqui, é estranho que toda ess beleza funcione apenas -- no máximo -- como cenário para deslocamentos e demais atividades. É estranho que se viva aqui exatamente como se viveria em qualquer outro lugar -- como se essas paisagens não existissem, como se elas não fossem espetaculares, como se, afinal, a cidade e as paisagens e o seu dia-a-dia não fossem uma única e mesma coisa.
Então, se você vive em Ilhabela, olhe novamente as fotos acima e me responda: elas fazem alguma diferença? É importante para você viver num lugar bonito ao ponto de emocionar? Ou você já nem nota isso?
sábado, maio 31, 2008
Malditos sejam os ignorantes
O artigo a seguir tem o mesmo espírito deste post. Trata-se, no entanto, de um versão mais enxuta e mais palatável, para aqueles que não gostam de longas histórias lamuriosas. Embora não fale especificamente de Ilhabela, todas as idéias presentes no artigo foram formadas com base em histórias vividas neste lugar.
Leia lá, em meu site pessoal: Malditos sejam os ignorantes.
Marcadores:
cotidiano,
ignorância,
ilhabela
E a Vila?
Post encontrado no blog do Guia 4 Rodas. Vale a pena ler até o fim, inclusive para pensar nas transformações pelas quais a Vila tem passado recentemente. Seria excelente se elas estimulassem um retorno àquela condição pacata anterior à eclosão do turismo dos anos 80 e que os moradores voltassem à Vila.
Para isso, um bom começo seria organizar o receptivo dos navios (que hoje é um caos de jipes, vans e stands feiosos), acabar com os foguetórios e disciplinar os eventos que acontecem na Vila.
Dona Mariquinha não nasceu em Ilhabela, mas mora na rua Dr. Carvalho há mais de 50 anos. Sua casa é uma das poucas da Vila, o centrinho da cidade, que preserva a fachada original, com batentes azuis e porta que abre direto na rua. Ela, no alto de seus quase 80 anos, faz parte de uma das oito famílias que resistem à comercialização do lugar. “Antes, todo mundo ficava sentado na rua, em frente ao mar. Não tinha estacionamento, não tinha tanto carro nem essas lojas todas”, lembra. “Tenho fé que as coisas vão mudar. Antes, a rua do Meio vivia cheia de gente até de madrugada por causa dos bares. Agora, isso acabou”, diz, com razão. A rua São Benedito, conhecida como rua do Meio, e a própria Vila não são mais as mesmas.
As agências bancárias que se concentravam ali foram para o novo centro comercial, no Perequê. Os bares, que tanto movimentavam o centrinho, fecharam as portas e os poucos que ainda resistem, em frente à praça Coronel Julião, não atraem mais muita gente – e, dizem os boatos, acabam de ser comprados por uma gigante imobiliária, que pretende fechar parte do quarteirão (perguntei, mas ninguém confirmou – ou desmentiu – essa história). Os jardins próximos ao píer se transformaram em vagas para o tal do estacionamento rotativo, que acaba de ser implantado na ilha. As fachadas das casas, que eram como de Dona Mariquinha, algo similar a Parati, hoje lembram mais shoppings, com suas grandes (e bem caras) vitrines. E até a centenária (e histórica) canoa exposta no meio da praça perdeu o sentido. Ali, bem em frente a ela, a prefeitura montou um feioso quiosque de dúvidas sobre o estacionamento rotativo que, ou está vazio, ou cheio de gente que não se importa muito em dar informações.
Dá uma certa pena conversar com Dona Mariquinha, tão saudosa. O curioso é que fui atrás dela justamente porque ninguém sabia me contar direito a história do local. Se você se interessa pelo assunto, bata na porta dela, vizinha ao Ponto das Letras. Ou dê uma passadinha na Padaria Dona Cristina, que fica na esquina da Dr. Carvalho com a Santa Tereza, onde há fotos da Vila de antigamente. Na rua da Padroeira, seu Chiquinho, o dono da Drogaria Nova Esperança (que era só Esperança quando foi construída, na década de 20) tem algumas lembranças. No Centro de Integração Ambiental, que funciona no prédio da antiga cadeia, há uma exposição que tenta mostrar o passado e a cultura da cidade por meio de fotos e de algumas maquetes. Lá, procure o Joãozinho. Ele e qualquer outro antigo caiçara vão ficar felicíssimos em saber que alguém está interessado na história de Ilhabela.
.
Imagem obtida aqui.
quinta-feira, maio 29, 2008
URGENTE
Continuo com dois cachorrinhos para adoção. Eles foram recolhidos da rua, na Vila, atrás da EEPSG Gabriel Ribeiro dos Santos.
Infelizmente não tenho condições de ficar com eles, pois já tenho três cachorros em casa. Quem puder ficar com eles ou souber quem pode ficar, por favor entre em contato comigo o mais rápido possível.
A todos, muito obrigado.
Infelizmente não tenho condições de ficar com eles, pois já tenho três cachorros em casa. Quem puder ficar com eles ou souber quem pode ficar, por favor entre em contato comigo o mais rápido possível.
A todos, muito obrigado.
terça-feira, maio 27, 2008
Viveiro Municipal Aroeira
A quem tiver interesse (eu espero que muitos se interessem), a Prefeitura de Ilhabela continua o bom trabalho desenvolvido no Viveiro Municipal Aroeira e oferece mudas de espécies vegetais nativas em troca de alimento não-perecível.
O Viveiro Aroeira fica junto à Secretaria Municipal do Meio Ambiente, nos arredores da Cachoeira da Água Branca. Para saber mais:
Secretaria Municipal do Meio Ambiente: (12) 3896 3832
Viveiro Municipal (nem sempre tem gente lá pra atender telefone): (12) 3896 4112
.
Original da imagem aqui.
domingo, maio 11, 2008
Mapa de Ilhabela
Para baixar versões em alta resolução desta imagem:
-- Imagem JPG 1024x768
-- Imagem JPG de alta resolução (6,24MB)
-- Arquivo PDF (5,08MB)
-- Arquivo DWG original (para AutoCAD; 10,03MB)
quinta-feira, maio 08, 2008
Mensagem para você
Ciclovia: lugar ideal para caminhar num dia de sol
Eu decidi que a partir de hoje vou tornar as coisas pessoais. Certos eventos só me interessarão na medida em que se manifestem diretamente a mim, na medida em que eu possa presenciá-los e me posicionar em relação a eles. Nada de tratar genericamente dos problemas desta cidade. Nada de me dirigir a pessoas que jamais se interessarão por aquilo que e escrevo. Nada de falar de temas universais, apelando para o bom senso metafísico que a maioria das pessoas têm. A atitude mais correta num mundo acostumado às banalidades do anonimato, das multidões e da impessoalidade é buscar pessoalidade e substância em tudo.
Este artigo, portanto, é para você, turista sem nome que encontrei na balsa, numa travessia recente. Você estava se apoiando numa latinha de cerveja que, depois de entornar a última gota do líquido amarelo, foi lançada ao mar. Eu pude ver que sua vida estava naquela latinha naquele momento e teria sido ótimo ver você voando como peso morto para o fundo do mar, junto com ela. Eu tentei dizer a você, turista sem nome, algo sobre a gravidade do seu ato e tudo que você foi capaz de responder foi «da próxima vez eu chamo você pra recolher minha latinha», como se falta de educação pudesse tornar seu ato risível.
Se eu pudesse dedicar-lhe algumas palavras, elas seriam: caia fora, vá jogar latinhas no chão da sua sala, Ilhabela não quer você. Porcaria, falta de educação e boçalidade têm limites. Mas você, turista sem nome, não merece conselhos. Merece apenas manter-se longe deste arquipélago. Não adianta falar com você, como não adiantou quando você fez o que fez.
Este artigo também é para aquela família adorável que caminhava faceira na ciclovia. Você, mulher, conduzia uma senhora idosa na ciclovia, a despeito dos riscos a que vocês se expunham fazendo isso. Eu, como ciclista, preocupei-me em não atropelar as duas infratoras; ainda me preocupei em parar minha viagem e orientá-las e alertá-las para o risco de um atropelamento. Você, mulher, rosnou para mim e disse que o erro era meu e que eu devia cuidar da minha vida. Você tinha razão e até seria divertido ver você lidando com o tipo de ciclista que costuma freqüentar a ciclovia -- alguns portam peixeiras, facões e pedalam numa roda só. Mande lembranças àquele seu filho ou sobrinho que queria me parabenizar pela minha atitude e torça para que ele não seja atropelado enquanto demoniza quem tenta alertar para os riscos a que sua avozinha está exposta ao caminhar numa ciclovia.
Se eu pudesse dizer algo a você sem ser interrompido por latidos, eu pediria que você e sua família se mantivessem longe desta cidade. Sugeriria também que você e sua família caminhassem na avenida principal, de preferência às 6 da tarde de qualquer dia de semana. Se vocês são capazes de hostilizar ciclistas, talvez encontrem ainda mais diversão xingando caminhoneiros e motoqueiros enquanto disputa espaço com betoneiras, picapes e motos.
Este artigo é dedicado também a você, jipeiro que quase me atropelou enquanto eu esperava a liberação do trânsito para fazer uma travessia segura. Decerto você estava com muita pressa, porque vinte segundos fizeram muita diferença. Vinte segundos foi o tempo que levei para encontrar condições de segurança e fazer a travessia da avenida. Nesse intervalo você postou seu jipe atrás de mim e começou a me xingar, como se eu estivesse ali exatamente para atrapalhar você.
Consta que você ainda trabalha como jipeiro nesta cidade e parece-me que as pessoas daqui não têm a opção de não conviver com a sua estupidez. Se eu pudesse lhe dar um conselho, eu lembraria a você que a boa educação conserva os dentes e ajuda no crescimento profissional. Torço para que os turistas que você transporta não ouçam as barbaridades que você me disse e que você, sua família e seus clientes possam se livrar de sua falta de educação.
Dedico este artigo também a você, motorista da prefeitura que quase me matou na estrada, perto da praia do Curral. O mais curioso é que você não viu a besteira que fez, limitando-se a ficar irritadinho quando o xinguei pela barbeiragem que quase me custou o pescoço. Você foi incapaz de dirigir direito, mas foi muito capaz de frear sua kombi em cima de mim e sair do veículo para tentar me agredir. Seu destempero deixou claro que você dá mais valor à honra de sua mãezinha do que à vida -- principalmente se for a vida dos outros. Nem quero imaginar como é um lugar em que as pessoas têm esse tipo de escala de valores.
Você não merece conselho algum. Merece apenas que sua carteira de habilitação seja confiscada e que você nunca mais encoste as mãos num automóvel. Vai lhe fazer bem andar a pé.
*
Quem lê estas coisas sem ter qualquer relação com os fatos a que me refiro aqui deve imaginar que se trata de miudezas muito particulares. Sim, são miudezas muito particulares. Elas dizem respeito só a mim e, como eu não sou uma pessoa pública, cuja biografia pode ter alguma importância para a cidade, é natural que cada um desses eventos morra comigo. Eles só foram preservados porque resolvi escrever sobre eles.
Ocorre que as pessoas que fizeram essas coisas comigo continuam vivendo em algum lugar. Desde que esse lugar não seja aqui, fico tranqüilo.
O que me deixa menos tranqüilo é a idéia de que cada um desses fatos tenha sido coisa irrelevante para eles também, os principais responsáveis pelos próprios fatos.
O sujeito que atirou a latinha no mar parecia se orgulhar do que fez, como se fosse direito seu fazer isso. A mulher que me xingou na ciclovia mostrou-se visivelmente ofendida quando a orientei a manter sua mãe idosa longe de lá, para a segurança de ambas. O jipeiro que me xingou na avenida só não passou por cima de mim porque eu desviei a tempo. O motorista da prefeitura que quase me atropelou e que em seguida quase me encheu de porrada continua trabalhando na mesma prefeitura; ficou nervoso na hora e depois sua vida prosseguiu. A forma como os fatos aconteceram e o que aconteceu depois demonstram que essas pessoas não dão a mínima para o que outras pessoas podem dizer de seus atos.
O que me preocupa é precisamente isso. Eu continuo vivo e com saúde; o que me acontece é problema meu. O que acontece a esses imbecis também deveria ser, desde que suas biografias não cruzassem com a minha biografia e a colocasse em risco. O problema é que cruzaram e colocaram minha vida em risco e não consta que elas tenham pensado em algum momento na merda que fizeram.
Não se trata de fazer justiça, trata-se de manter essas coisas vivas e criar alguma chance de que algum dia essas pessoas se responsabilizem pela merda que fizeram. Se isso não é possível por vias legais, que seja por algum tribunal divino ou pessoal. Por isso esse discurso pessoal. Não tenho a menor vontade de encontrar essas pessoas novamente -- o turista beberrão e porco, a mulher irritadiça e ofensiva e seu filho nervosinho, o jipeiro troglodita, o motorista da prefeitura barbeiro e kickboxer. Espero apenas que lhes venha à memória a lembrança desses fatos e a noção de que o que fizeram foi errado.
Se cada pessoa puder ser responsabilizada pelo menos pelas merdas que fizeram em público, talvez esta cidade melhore um pouquinho. Se de um lado o que predomina é a estupidez e a falta de educação, de outro lado a boa memória pode evitar que essas pessoas levem suas vidas como se fossem exemplos de boa conduta social. Tento fazer minha parte refrescando a memória delas. De quebra, tento refrescar a memória do leitor que eventualmente fez coisas parecidas com as que narrei aqui. A próxima mensagem pode ser para você.
Marcadores:
ciclovia,
civilidade,
educação,
estupidez,
ilhabela
terça-feira, maio 06, 2008
sábado, abril 26, 2008
Notas breves (mais do mesmo)
-- Ao ver as bandeiras da Cetesb na praia, pense no seguinte: não importa a cor delas -- verde ou vermelha -- o simples fato delas estarem lá é sinal de que há muito tempo as coisas vão mal. Praias constantemente limpas não precisam de avaliações semanais. O ideal, portanto, não é limpar as praias ao ponto delas estarem próprias sempre, mas ao ponto da avaliação se tornar desnecessária. Não se trata apenas de eliminar a poluição, mas ir além e eliminar a possibilidade de que elas possam ficar poluídas um dia.
-- Eu não falo mais com pessoas que levam cachorros na praia. Geralmente estes é que são mais compreensivos. Além de tudo, ultimamente a água no Canal de São Sebastião tem estado pior do que areia com bosta de cachorro. Que os bichinhos fiquem à vontade para usar a praia como banheiro; talvez isso melhore a qualidade da água. Porca miséria.
-- Existe aqui, como em muitas cidades turísticas, um fetiche por coisas perfeitas demais. Calçadas lisas demais, paredes brancas demais, trânsito organizado demais. Falta substância, sobra aparência. Falta história, sobra novidade. Do que Ilhabela precisa afinal?
-- A avenida principal de Ilhabela é um lugar extremamente barulhento. Para um lugar que até bem pouco tempo estava acostumado ao barulho de tucanos, maritacas e outros bichos, é muito preocupante. Some-se a isso, aliás, o aumento natural dos decibéis durante feriados e temporadas.
-- Benefícios imensos a qualquer cidade cujos cidadãos pedalam e caminham em vez de dirigir motos, carros e caminhões. Ilhabela segue na contramão, preocupando-se mais com aqueles que poluem e fazem barulho do que com aqueles que não poluem e pedalam e caminham em silêncio.
sábado, abril 12, 2008
Evolução populacional de Ilhabela
Evolução populacional de Ilhabela nos últimos 50 anos. O gráfico mostra o forte crescimento entre os anos 1980 e 2000 e, talvez, uma leve tendência à redução no ritmo desse crescimento. O último ponto do gráfico refere-se a 2007 (IBGE), quando Ilhabela tinha 23.886 habitantes.

(Clica na imagem para ampliar)
(Clica na imagem para ampliar)
Passado presente
Leia aqui meu artigo da quinzena.
O que o mantém em Ilhabela? O que faz com que você prefira este lugar a qualquer outro? Se você enriqueceu, talvez queira responder que foi o êxito profissional e as conquistas financeiras que o mantiveram aqui todos esses anos. Se não enriqueceu, se não conseguiu o êxito profissional desejado, dirá que o que o mantém aqui é a conveniência da beleza do lugar, da ascendência familiar ou a aparente possibilidade de não viver sob o peso dos problemas urbanos, porque aqui eles (ainda) são brandos e suportáveis. Nos dois casos, acredite, você estará tentando acobertar aquilo que realmente o mantém aqui — os sentimentos. Admita, você gosta daqui. Sempre gostou, no passado ou no presente.
domingo, março 30, 2008
Panorâmica
Criei uma conta no Flickr, onde a partir de hoje adicionarei algumas imagens de Ilhabela. Muitas delas estão sendo usadas na pesquisa que estou desenvolvendo para o mestrado na FAU-USP.
O álbum com imagens de Ilhabela pode ser visto aqui: http://www.flickr.com/photos/christiandrs/sets/72157604314778133/
Marcadores:
flickr,
ilhabela,
vista panorâmica
sexta-feira, março 28, 2008
Gandalf para prefeito
Leia na íntegra meu artigo da quinzena no jornal Canal Aberto.
Eu ainda me surpreendo ao ver que as pessoas crêem de verdade que coligações são coisas bacanas demais; que o que acontece entre quatro paredes legislativas ou executivas é mais importante do que aquilo que acontece fora, todos os dias; e que assinaturas e canetadas valem mais do que aquilo que é feito nesta cidade, inclusive quando as repartições públicas estão fechadas e os fiscais dormindo. Cria-se assim a impressão — falsa, é claro — de que um prefeito é uma espécie de Gandalf, o mago de «O Senhor dos Anéis»: um sábio de poderes mágicos que resolverá todos os problemas com um golpe de cajado. Você realmente acredita que política se faz com garganta e caneta? Me poupe. Isso é politicagem em sua pior forma, não política. Você já viu esse filme e sabe que o final é sempre lamentável.
.
Original da imagem aqui.
domingo, março 16, 2008
Não há vagas
sexta-feira, março 14, 2008
Os donos da ilha
Vi ontem o documentário «Os donos da ilha», que pode ser visto no You Tube, dividido em três partes:
Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=M1EykaWSz7o
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=erGPOYbFu3M
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=srNQyv2c2RA
Algumas impressões:
1) Assistam. Não é um documentário completo (principalmente por ser breve), muito menos conclusivo, mas é fundamental para quem quer tentar compreender a questão da cultura caiçara e sua presença no arquipélago.
A partir daqui meus comentários citarão trechos do documentário. Talvez você prefira assisti-lo para depois ler o restante deste post. Ou não.
2) É um documentário pessimista. A impressão que se tem é que a cultura caiçara se perdeu e não há solução. Bem, a cultura caiçara se perdeu (isto é um fato) e realmente não há solução (isto já é opinião). Na verdade, a cultura não é algo que se «perde». Perdem-se costumes, tradições são deixadas de lado e, afinal, a cultura se transforma. O fato é que o caiçara deixou de ser o habitante típico do litoral. Ilhabela, como a maioria das cidades do litoral, é formada hoje por migrantes -- paulistas da Grande São Paulo, mineiros e baianos, entre outros. Existe em Ilhabela forte influência da cultura que essas pessoas trazem para cá, sem falar no próprio impacto sócio-cultural que o próprio turismo traz para o arquipélago.
3) Pessimismo não é realismo. Realismo incluiria mostrar o outro lado de uma situação que parece não ter solução. As tradições caiçaras estão se perdendo? Sim. A cultura caiçara está desaparecendo? Não. Ela está se transformando. Para compreender o que essas transformações significam é necessário analisar o impacto de tradições perdidas, da cultura que influencia a cultura caiçara e dos valores que são trazidos de fora. Através dessa análise pode-se avaliar uma situação.
4) Um dos itens dessa análise é a relação do homem com o mar e com a terra. Os caiçaras relacionavam-se com o mar e com a terra de uma forma mais próxima porque dependiam deles para viver. Nós hoje também dependemos, mas temos dificuldade em ver e compreender essa dependência. É claro que isso foi uma perda, que trouxe mais danos do que benefícios. Uma questão que se pode desenvolver é como fazer com que esses benefícios ajudem na reparação dos danos -- e esta questão não é diferente daquelas propostas nas discussões ambientais acerca da sustentabilidade. Ganhar-se-ia muito, portanto, colocando pés no chão e avaliando a situação tal como ela é hoje, não como ela pode ser daqui alguns anos.
5) A respeito disso, aliás, uma «dica» foi dada quase sem querer pelo grande Mazinho, que aparece em alguns momentos do documentário. Ele diz algo como «ainda bem que tem marina, o Yacht Club, a balsa, senão esse pessoal [pescadores] estaria todo sem trabalho», sem perceber a ligação entre os fenômenos que prejudicam a pesca e outras tradições caiçaras e os fenômenos que levam à construção de marinas e ao aumento do número de embarcações de recreio no arquipélago. É sempre uma faca de dois gumes. O desenvolvimento escasseou os cardumes, mas trouxe emprego. Estes empregos não têm relação direta com a cultura caiçara, mas são bons. Ao mesmo tempo são sintomas de um processo que ajudou a degradar a cultura e as tradições. Uma questão que se coloca é se o que acontece aqui não faz parte de um processo muito mais amplo, comum ao restante do país e do mundo.
6) O documentário é fundamental não por fazer um alerta sobre algo que pode acontecer, mas sobre algo que já aconteceu e que é a realidade neste momento. Eu gostaria que ele fosse visto sempre desta forma. O problema é que a maioria das pessoas pensa: «Puxa, a cultura caiçara está se perdendo». Não, ela já se perdeu. Que ela exista ainda em algumas pessoas e em algumas festas folclóricas e religiosas, é mero acaso, mera sorte. O que devemos perguntar -- individualmente, para início -- é o que é cultura, o que ela representa para você e, afinal, por que as tradições são importantes. Não adianta suspirar pela perda de algo que você só valorizou como souvenir. Se isso não for feito, nenhuma cultura será valorizada, nem a caiçara, nem a nossa própria cultura, que é o que nos permite viver com alguma lucidez.
.
Original da imagem aqui.
quarta-feira, março 12, 2008
Para entender a balneabilidade das praias
Num tópico na comunidade Ilhabela no Orkut perguntaram sobre os critérios e a lógica que poderia haver nas avaliações de balneabilidade das praias de Ilhabela, feitas pela Cetesb.
Há praias visivelmente impróprias que são vistas com bandeiras verdes, enquanto praias tradicionalmente boas -- ou, pelo menos, que costumam ser reconhecidas como de boa qualidade -- têm bandeiras vermelhas.
A resposta que adicionei ao tópico, toda ela baseada nas informações que a própria Cetesb transmitiu numa audiência pública ocorrida no ano passado, pode eliminar algumas dúvidas.
Sobre este assunto, escrevi isto um tempo atrás:
http://ilhabela.blogspot.com/2006/06/matando-o-mensageiro.html
http://ilhabela.blogspot.com/2007/05/quero-minha-praia-de-volta.html
*
Na audiência a que me refiro no primeiro texto, pessoal da Cetesb veio esclarecer como eram feitos os levantamentos. Alguns intens importantes da explanação oferecida:
1) Existe um «lag» entre a coleta de amostras e a colocação da bandeira. Este «lag» se deve ao fato de que as amostras são levadas para São José dos Campos, onde são analisadas. Os resultados demoram cerca de um dia para serem obtidos. Leva mais um tempo até que funcionários da Cetesb voltem ao litoral para colocar as bandeiras. Naturalmente, dispõe de poucos funcionários para todo o litoral norte, o que torna o processo ainda mais lento.
2) A qualidade da água varia muito mesmo em uma mesma praia -- ainda que seja pequena. Há trechos em que o esgoto rola solto, como todos sabemos. Contudo, dependendo da correnteza, esse esgoto tanto pode se dissipar rapidamente e nem chegar ao ponto onde são colhidas as amostras como pode ficar todo acumulado na orla de toda a praia. Pode acontecer também do esggoto derramado numa praia acumular-se em outra praia tida normalmente como limpa e própria.
3) O regime de chuvas é um fator que influencia muito a qualidade das praias. Um período de seca melhora sensivelmente a qualidade das águas. Basta chover para descer esgoto e sujeira para o mar. Novamente, vale aqui o que foi dito sobre o «lag»: bandeiras verdes podem ser vistas em períodos de chuva, de mar lamacento; enquanto que em períodos de seca as bandeiras vermelhas podem ser vistas às vezes, a despeito da boa aparência das águas.
4) O levantamento da Cetesb pretende -- palavras dos próprios profissionais na audiência pública -- ser apenas um referencial, não um atestado 100% seguro da qualidade da praia. A presença ocasional de uma bandeira vermelha significa que aquela praia está sujeita a quedas na qualidade. IMHO, isso já é alerta suficiente.
Na ocasião da audiência os próprios vereadores questionaram a possibilidade de haver alguma má intenção dos profissionais da Cetesb. A explicação deles eliminou qualquer mal-estar.
O que há, como talvez tenha ficado claro no texto «Matando o mensageiro» é um interesse local em que os boletins «negativos» não sejam divulgados. Há diversas ocorrências de bandeiras vermelhas que foram roubadas das praias e a impressão que algumas pessoas têm é que a Cetesb se coloca «contra» o município quando divulga boletins que revelam a qualidade decadente de nossas praias.
As praias não são sujas por elas mesmas, por razões naturais -- embora isso possa ocorrer também. Em Ilhabela, o que estraga as praias é o esgoto. Por isso a chuva é um fator decisivo: basta chover para o esgoto descer para as praias e torná-las impróprias.
Podem tentar culpar a Cetesb por divulgar os boletins de balneabilidade, podem querer culpar São Pedro, mas o fato é que a cidade está estragando as praias.
Se não é possível evitar que os rios e córregos corram para o mar, talvez seja possível evitar que o esgoto chegue a eles.
.
Original da imagem: acervo do autor.
Marcadores:
balneabilidade,
cetesb,
esgoto,
praias
Assinar:
Postagens (Atom)
