Este é o nome da exposição de Gilmar Pinna no Memorial da América Latina. O projeto é uma homenagem a personalidades que dedicaram suas vidas à paz. As peças ficarão expostas até o dia 6 de junho.
quinta-feira, abril 27, 2006
Retratos da Vida
Este é o nome da exposição de Gilmar Pinna no Memorial da América Latina. O projeto é uma homenagem a personalidades que dedicaram suas vidas à paz. As peças ficarão expostas até o dia 6 de junho.
quarta-feira, abril 19, 2006
Caso sério
Cópia do e-mail que enviei à DERSA, empresa responsável pela travessia marítima em Ilhabela e São Sebastião:
Prezado Sr.,
Sou arquiteto, tenho 32 anos, vivo em Ilhabela e em todas as tardes de domingo utilizo a travessia São Sebastião-Ilhabela para tomar em São Sebastião um ônibus que me leva a São Paulo.
Domingo passado, dia 16 de abril, fui à travessia como de costume, no horário adequado para tomar a balsa de 14h. Cheguei ao terminal da travessia às 13:45 e tive a surpresa de que as balsas não estavam cumprindo o horário normal (13:30, 14:00, 14:30 etc.), o que era bastante compreensível diante do grande movimento de carros por causa do feriado.
Assim, como havia uma balsa atracada no momento em que cheguei, dirigi-me normalmente para o embarque. Neste momento fui barrado pelos funcionários da DERSA, que disseram que aquela balsa não permitia pedestres. Questionei a informação e o encarregado da travessia em
Ilhabela a confirmou. Perguntei sobre a balsa das 14:00 e foi então que constatei que naquele dia a DERSA não estava cumprindo os horários normais.
A balsa em que eu havia tentado embarcar saiu às 13:50. Conforme informações de um dos funcionários, a próxima balsa demoraria 15 minutos para sair, o que me expôs ao risco de perder o ônibus que eu deveria pegar às 14:30 e me deixou preocupado e aborrecido.
Perdoe a longa descrição do que houve, mas considero-a necessária para fazer à DERSA as seguintes questões:
1) É natural que a DERSA dê tanta importância aos carros na travessia marítima, mas não é natural que isso aconteça em detrimento dos pedestres. No fato ocorrido, fui prejudicado porque os horários das balsas foram alterados exatamente para acelerar a travessia para os carros.
Um dos funcionário até chegou a sugerir que eu tentasse conseguir uma carona em um dos carros na fila da balsa para que eu pudesse embarcar na balsa que sairia às 13:50, o que deixou claro a falta de critérios para a travessia: bastaria então eu estar dentro de um carro para embarcar, deixar esse carro durante a travessia e desembarcar como pedestre,
normalmente. Qual a diferença entre isso e ter feito a travessia como pedestre, do começo ao fim?
Por que isso acontece? Por que a prioridade aos carros ocorre em detrimento dos pedestres?
2) Durante a temporada de verão ocorreu algo semelhante: as balsas não cumpriam os horários fixos. Contudo, ao contrário do que aconteceu no último feriado, os pedestres podiam embarcar em qualquer balsa, não havia restrições. Assim, embora não pudessem contar com os horários
regulares da travessia, os pedestres serviam-se de uma freqüência maior de balsas, o que não os prejudicava. Depois disso os horários voltaram a ser regulares. E recentemente, no feriado da Páscoa, os horários foram descumpridos mas as balsas não foram todas liberadas para pedestres.
Não me parece que o critério seja oferecer conforto aos pedestres, porque as balsas especialmente dedicadas a nós às vezes têm a área de pedestres ocupada por carros -- como já presenciei em feriados, nas balsas menores (FB 14 e FB 15, não estou certo dos nomes) -- e por motos.
Quais são os critérios que a DERSA utiliza para permitir o embarque de pedestres nas balsas? E por que esses critérios são modificados sempre em função da quantidade de carros nas filas para a travessia?
Sem mais, agradeço a atenção e aguardo o posicionamento da DERSA diante dessas questões.
Atenciosamente,
Christian Rocha
quarta-feira, abril 12, 2006
Silêncio
Não tem nada acontecendo aqui?
Aqui tem.
Quando eu não estiver escrevendo aqui, dêem uma olhada em meu saite pessoal. Pode ser que eu não esteja falando de Ilhabela, mas certamente estarei falando de algo ligado a este lugar -- de mandalas à política nacional.
Este artigo, por exemplo, tem direta relação com Ilhabela. Basta olhar os rios ao seu redor.
Mas já já voltarei aqui.
A todos, muito obrigado.
Aqui tem.
Quando eu não estiver escrevendo aqui, dêem uma olhada em meu saite pessoal. Pode ser que eu não esteja falando de Ilhabela, mas certamente estarei falando de algo ligado a este lugar -- de mandalas à política nacional.
Este artigo, por exemplo, tem direta relação com Ilhabela. Basta olhar os rios ao seu redor.
Mas já já voltarei aqui.
A todos, muito obrigado.
sábado, abril 08, 2006
Ilhabela precisa de faxina
Ontem à noite, quando voltava para casa, presenciei algo que nunca havia presenciado em Ilhabela. Na Vila, à frente do Bazar São Paulo, dois homens imobilizavam um terceiro no chão. Um aglomerado de pessoas testemunhava a conclusão de uma tentativa de roubo malsucedida.
Ao mesmo tempo, ouço comentários de pelo menos três ocorrências desse tipo a cada semana. Os telhados dos estabelecimentos da Vila tornaram-se calçada para os bandidos. Casas e lojas são invadidas por criminosos que, seguros da impunidade, às vezes roubam o mesmo local várias vezes.
Moradores de Ilhabela estão cansados disso. Há o risco -- sempre temível -- de que as pessoas se acostumem com a insegurança, mais ou menos como aconteceu nas grandes cidades brasileiras. Em São Paulo, por exemplo, a regra é desconfiar de tudo e de todos, precaver-se todo tempo, manter-se atento a movimentações incomuns.
Embora essa 'atitude metropolitana' possa prevenir alguns crimes, receio que ela possa também esmorecer nos moradores de Ilhabela aquele tipo de inconformismo e de revolta que é base para a faxina de que Ilhabela precisa. Ora, quando ratos e baratas multiplicam-se aos milhares a ponto de tomar todos os cômodos de uma casa, as únicas ações eficientes são as drásticas, aquelas que efetivamente exterminam ratos, baratas e seus respectivos criadouros. Ilhabela precisa urgentemente de uma faxina.
Diga-me que os policiais não estão recebendo seus salários ou não têm condições mínimas de trabalho e eu entenderei. Mas duvido que seja esta a causa da ineficiência da polícia. Se for, temos um problema administrativo como causa da insegurança ilhabelense. Mas quando quer, a polícia local sabe ser eficiente -- como no caso que presenciei ontem --, o que faz crer que a polícia tem condições para atuar com eficiência e está sendo devidamente paga para isso.
Alguns argumentam que muitos dos bandidos que atuam em Ilhabela resguardam-se em sua menoridade, o que faz algum sentido. Só que mesmo o mais criminoso dos adolescentes deve ser submetido a algum tipo de lei -- e, de preferência, mandado para algum lugar bem distante de seu meio habitual, que é a única forma de recuperá-lo.
Ilhabela é um lugar pequeno. Não deve ser difícil achar os ratos e as baratas. Esta cidade precisa urgentemente de uma faxina.
sexta-feira, abril 07, 2006
Pedalar
Vereador quer apresentar Projeto regulamentando o uso de bicicletas em Ilhabela
Ilhabela - O presidente da Câmara de Ilhabela, vereador Luiz Lobo(PL), pretende apresentar projeto de Lei que regulamente e registre as bicicletas no município. A medida visa diminuir os acidentes de trânsito envolvendo ciclistas e evitar roubos e furtos destes equipamentos na Ilha. Para embasar sua idéia, Lobo esteve em Lorena, na região do Vale do Paraíba, onde visitou o departamento de trânsito para conhecer Lei semelhante que vigora naquela cidade.
O coordenador chefe do trânsito lorenense, Marcelo Augusto Pazzini, explicou ao presidente que a medida se fez necessária na cidade, devido ao alto número de bicicletas circulando pelas ruas. Segundo levantamento, Lorena conta com 90 mil habitantes e cerca de 70 mil bicicletas. A idéia consiste em registrar, emplacar e manter um banco de dados com informações do equipamento e do proprietário. Assim, numa eventual ocorrência de furto, será mais fácil identificar a bicicleta. O ciclista terá que obedecer efetivamente as leis de trânsito, sob pena de ter a bicicleta apreendida, se cometer infração, transitando em contra-mão, por exemplo. Por outro Lado, Lobo se preocupa também em estudar modos de viabilizar as questões de infra-estrutura, ou seja, a cidade deve se adequar, implantando bicicletários em pontos estratégicos, orientar o comércio local a fazer o mesmo além de manter a ciclovia em bom estado.
A população de Lorena aprovou o projeto e a idéia vem dando bons resultados. Lobo quer implantá-la aqui na Ilha e acredita que os munícipes ilhéus também não devem se opor. Campanhas educativas e explicativas também fazem parte do cronograma, buscando conscientizar os ciclistas de que a bicicleta é um veículo como outro qualquer e para isso, deve se adequar às leis de trânsito vigentes.
De alguma forma o discurso do vereador ecoa aquilo que eu havia escrito no Jornal da Ilha de fevereiro. No artigo Cinco idéias para uma cidade melhor, uma das idéias era justamente
Bicicletário: o trânsito mais uma vez ficou caótico nesta temporada e a cada verão o problema se repete. A bicicleta é uma solução simples, barata e saudável. Para que ela seja também viável, duas ações: concluir a ci-clo-vi-a, não obstante a frescura de alguns proprietários de imóveis, e a construção de três (sim, apenas três) bicicletários, aqueles estacionamentos de bicicletas — na Vila, no Perequê e na Barra Velha, perto da balsa. O que você pode fazer: pedalar muito, deixar o carro em casa e utilizar a bicicleta nas mais diversas situações. Mesmo que existam motoristas e ciclistas mal educados, mesmo que existam cães assassinos soltos por aí, mesmo que todo o trânsito seja planejado para o carro, pedalar ainda vale a pena.
A proposta esbarra, evidentemente, na ineficiência da fiscalização municipal, que não consegue realizar coisas simples, por exemplo, evitar que os ciclistas andem na contramão no miolo do Perequê (à frente do Supermercado do Frade e arredores). A questão não é física, pois há uma boa ciclovia (que precisa ser concluída), topografia confortável e paisagem exuberante. Tampouco legal: o Código Nacional de Trânsito prevê regras de conduta e segurança a serem seguidas por ciclistas. A questão é humana: quem aplicará as leis? como elas serão aplicadas? como punir e multar? E se as respostas a estas perguntas são óbvias (eu acho que não são), por que as leis não são aplicadas hoje?
Mesmo assim, trata-se de uma ótima idéia. Óbvia, mas ótima: a solução para os problemas de trânsito está nas bicicletas e no aproveitamento (não menos óbvio) das possibilidades que a ciclovia oferece. Pelo jeito, só o departamento de trânsito não tinha percebido isso.
quinta-feira, março 30, 2006
Artigos de março
Meus artigos de março nos dois principais jornais de Ilhabela:
Feiúra institucionalizada, sobre o prédio do novo Fórum de Ilhabela, publicado no Jornal da Ilha.
Ilhabela tem oposição séria, sobre as tempestades políticas que agitaram Ilhabela no mês de fevereiro e nas primeiras semanas de março, publicado no Jornal do Arquipélago.
Feiúra institucionalizada, sobre o prédio do novo Fórum de Ilhabela, publicado no Jornal da Ilha.
Ilhabela tem oposição séria, sobre as tempestades políticas que agitaram Ilhabela no mês de fevereiro e nas primeiras semanas de março, publicado no Jornal do Arquipélago.
terça-feira, março 28, 2006
Retornando
Não, o Insular não acabou. Apenas tive que me ausentar de minha estação de trabalho por cerca de dez dias. Em breve atualizarei este blog.
A todos os que continuaram acessando o Insular mesmo com minha ausência (ou talvez por causa dela...), muito obrigado.
A todos os que continuaram acessando o Insular mesmo com minha ausência (ou talvez por causa dela...), muito obrigado.
domingo, março 19, 2006
Termina a temporada de navios
Domingo, 1:15 da manhã. Noite morna com céu estrelado. Daqui algumas horas, às 9 da manhã, estarei trabalhando depois de uma noite de sono, como em todas as manhãs de domingo. Tudo de que Ilhabela mais precisa numa madrugada dessas é de um bom show pirotécnico — ao menos é o que os experts em turismo da Prefeitura pensam. Se pudessem, os cães de casa aplaudiriam. Como não podem, eles uivam.
O último navio se foi. Considerando o zé povinho que veio desta vez, já foi tarde.
A temporada de navios terminou. Que as lições sejam assimiladas até a próxima. E que Deus nos proteja.
sábado, março 18, 2006
Alugo barraco
Vendo ou alugo barraco com dois cômodos em bairro tradicional de Ilhabela. Excelentes acomodações para até seis famílias. Sólidas paredes de tijolo baiano mal assentado e madeirit, telhado de brasilit com poucos furos, área de serviço coletiva a céu aberto composta de um tanque de concreto e uma fossa negra (que faz as vezes de banheiro). Valioso imóvel que nunca foi verificado pela defesa civil; só deslizou duas vezes até hoje. Vista para o mar de piscinas do bairro chique logo ao lado. Fácil acesso às principais rotas de fuga. Preços especiais para quem comprovar ausência de vínculos empregatícios com Ilhabela ou dispuser de um tresoitão como entrada. Exclusividade da Imobiliária Zé Ninguém.
quinta-feira, março 16, 2006
Corrigindo...
Eu me enganei em meu post anterior. Ilhabela tem oposição séria. Converso quase todos os dias com pessoas dignas desse título. São pessoas que sabem pensar, que sabem que ser oposição não é simplesmente ser do contra, mas tornar-se uma espécie de ombudsman, uma pessoa suficientemente esclarecida e apta a criticar não pelo gosto de derrubar a tese alheia, mas pela necessidade de construir algo melhor.
Existem pessoas assim em Ilhabela. O problema é que elas preferem ficar quietas, em total e funesto silêncio.
Existem pessoas assim em Ilhabela. O problema é que elas preferem ficar quietas, em total e funesto silêncio.
sexta-feira, março 10, 2006
“Ilhabela não tem oposição séria”
Embora discorde do prefeito Manoel Marcos em diversos pontos, admito que sua declaração ao Imprensa Livre de ontem não poderia ter sido mais precisa. Eis um trecho da matéria:
"Manoel Marcos se compara a um político que faz política, mas ressalta que não depende dela. 'Eu me preparei para ser um político. Aprendi com o tempo que o político precisa combater e lutar e não fazer uma oposição em que à vontade da população não é respeitada', desabafa.Eu já havia alertado para isso, quando escrevi o seguinte trecho em "Por uma oposição melhorzinha" (Jornal da Ilha, janeiro de 2006):
"Para ele, em Ilhabela não há uma oposição real, mas sim pessoas interessadas no poder que não se interessam pela população ou o crescimento da cidade. De acordo com o prefeito, a 'suposta' oposição nunca moveu uma palha para conseguir ou reivindicar algo para a cidade. 'Eles apenas se esforçaram para mostrar uma imagem negativa do prefeito e da cidade. Acho que eles têm um sentimento de revolta por terem sido massacrados nas urnas, já que os três candidatos com os quais disputei a eleição somados os votos não atingiam 30%'."
"Um dos fundamentos da boa oposição é sempre ter na manga uma alternativa (mesmo que seja apenas teórica) melhor do que aquela oferecida pela situação. Ilhabela carece de bons políticos de oposição, dispostos a compreender este lugar. Lamentavelmente o estudo é considerado um luxo até mesmo por aqueles que são responsáveis por fazer leis e executá-las. O trabalho de alguns políticos ilhabelenses resume-se a manusear a caneta, manter a garganta limpa e desligar o cérebro. Com isso, mesmo que não roubem, por mais honestos que sejam, transmitem uma mensagem auto-evidente: o estudo não vale nada, o aperfeiçoamento só interessa se significa votos e/ou dinheiro e estas são as únicas formas de ser melhor do que os outros políticos. E assim eles são derrotados por eles mesmos e a política é nivelada por baixo."Em outras palavras, ficou claro nestes últimos meses que, com a oposição que Ilhabela tem, o prefeito não precisava de tantos defensores -- eufóricos sem medida, diga-se.
quinta-feira, março 02, 2006
Artigos de fevereiro
Aqui e aqui, meus artigos de fevereiro nos jornais de Ilhabela.
A propósito, meu saite pessoal mudou de endereço. Por favor atualizem seus bookmarks:
gropius.awardspace.com
A todos, muito obrigado.
A propósito, meu saite pessoal mudou de endereço. Por favor atualizem seus bookmarks:
gropius.awardspace.com
A todos, muito obrigado.
terça-feira, fevereiro 21, 2006
Manoel Marcos será julgado hoje
Trecho da matéria do jornal Imprensa Livre sobre o julgamento do prefeito de Ilhabela, que corre risco de ser cassado:
O clima de expectativa paira sobre a cidade. Nos supermercados, lojas e ruas as pessoas evitam falar sobre o assunto, ninguém arrisca um palpite. Mas, todos são unânimes, com o julgamento acabam as suposições e especulações que rondam a vida política da cidade.
Do trecho acima surgem algumas perguntas:
- As pessoas realmente evitam falar do assunto? Duvido um pouco. Entre mim e meus amigos não se falava noutra coisa hoje. E por que raios as pessoas evitariam falar sobre um assunto de capital importância?
- Existe unanimidade sobre algum assunto em Ilhabela?
- E que raio de unanimidade é essa que se exime de qualquer posicionamento?
- Com quantas pessoas esse repórter falou? Três?
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Crime e violência em Ilhabela: o que fazer?
Ilhabela, como o nome sugere, é uma ilha, cercada de água por todos os lados. A maior parte das pessoas e todos os carros que vêm para cá passam obrigatoriamente pela balsa. Carros e pedestres passam por uma espécie de funil e podem ser observados um a um durante a travessia. Eles ficam presos durante 15 ou 20 minutos dentro de uma balsa. Embora a Ilha de São Sebastião seja grande, o município de Ilhabela é pequeno, quase todo ele limitado a uma linha que se estende entre Jabaquara e Borrifos.
Diante disso, recuso-me a acreditar na impossibilidade de prevenir e investigar crimes. Recuso-me a acreditar que não há nada que se possa fazer para combater a criminalidade que atinge Ilhabela.
Muitas coisas podem ser feitas e não são feitas não porque exigem uma estrutura cara, um sistema de alta tecnologia ou mão-de-obra numerosa. Elas não são feitas simplesmente porque não se quer, porque não há ninguém que exija que os responsáveis cumpram um pouquinho mais do que suas obrigações.
Se eu fosse o responsável pela segurança de Ilhabela, ficaria envergonhado ao saber das estatísticas de roubos no município. A repetição de um mesmo tipo de crime demonstra a ineficiência da polícia e da justiça em combatê-lo. Quando bandidos se acostumam com um determinado tipo de crime, algo está errado -- e não é apenas a voracidade dos marginais.
É claro que a população deve fazer sua parte. A denúncia é uma arma poderosa no combate ao crime; ela demonstra que a sociedade não está disposta a se curvar diante da ação dos bandidos. Esses criminosos não vivem isolados; eles têm comparsas e receptadores de objetos roubados; eles têm parentes e amigos que toleram seu banditismo. Como se trata de sujeitos covardes totalmente desprovidos de escrúpulos, não há criminoso que não esteja disposto a denunciar seu parceiro de crime. Para que a denúncia exista, basta que ele vislumbre a recompensa adequada.
A melhor recompensa para quem denuncia um criminoso é não ir para a cadeia. Cumplicidade é crime, assim como a receptação de objetos roubados. A única atitude correta quando se tem conhecimento de um crime é denunciá-lo e denunciar seus autores.
Embora problemas como o desemprego e a corrupção sejam preocupações constantes para a população brasileira, nada se compara com a violênicia urbana. Não há nada mais importante do que a certeza de poder voltar são e salvo para casa, de não ter sua casa invadida por marginais, de não ser vítima de um assalto, de um seqüestro ou da guerra entre traficantes. Não há nada mais importante do que viver num lugar totalmente livre de violência. É claro que é impossível encontrar um lugar assim. Onde há pessoas há pelo menos a possibilidade da existência de crimes. Mas é possível reduzir essa possibilidade com ações preventivas simples, com leis severas, com investigações e policiamento eficientes.
O crime existe onde há espaço para ele. O criminoso é covarde por definição; ele buscará sempre as situações onde os ganhos e a possibilidade de sucesso são maiores. Ele evitará lugares em que a polícia é eficiente, em que a população não tolera sua presença e está devidamente protegida e prevenida contra sua ação.
Ilhabela não parece ser um lugar assim. O crescimento rápido e desordenado atraiu todo tipo de criminoso. A criminalidade crescente manchou sua tranqüilidade original. O paraíso acabou, não apenas porque praias e cachoeiras estão poluídas, mas também porque a violência tomou conta da cidade. Muitas pessoas deixaram as grandes cidades para viver em Ilhabela e viram-se forçadas a levar aqui o modo de vida que tinham antes, com grades, cercas elétricas, vigilância particular e a mesma insegurança que as aterrorizava.
Tudo isso me surpreende, não por ter sempre julgado Ilhabela imune à violência que afeta todo o país, mas justamente porque este lugar tem características propícias a que esse problema seja controlado por aqui. Citei, no início deste texto, características físicas que permitiriam ações preventivas. As dimensões e os limites físicos bem definidos facilitam investigações, o controle de entrada e saída do município e a vigilância constante. Não são ações impossíveis ou difíceis. Por que não colocá-las em prática? Por que abandonar a população à própria sorte? Por que agir como se nada estivesse acontecendo?
Convido cada internauta de Ilhabela a divulgar este texto a seus amigos e conhecidos, a divulgar suas experiências com a falta de segurança nesta cidade, a relatar, ainda que anonimamente, suas tragédias pessoais. Não peço isso para que criemos a idéia de que estamos vivendo num inferno -- embora para muitas pessoas isso seja verdade --, mas para que talvez os responsáveis por melhorar as condições de segurança em Ilhabela efetivamente façam algo.
*
Estatísticas oficiais sobre os índices de criminalidade de Ilhabela podem ser obtidos no saite da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
Diante disso, recuso-me a acreditar na impossibilidade de prevenir e investigar crimes. Recuso-me a acreditar que não há nada que se possa fazer para combater a criminalidade que atinge Ilhabela.
Muitas coisas podem ser feitas e não são feitas não porque exigem uma estrutura cara, um sistema de alta tecnologia ou mão-de-obra numerosa. Elas não são feitas simplesmente porque não se quer, porque não há ninguém que exija que os responsáveis cumpram um pouquinho mais do que suas obrigações.
Se eu fosse o responsável pela segurança de Ilhabela, ficaria envergonhado ao saber das estatísticas de roubos no município. A repetição de um mesmo tipo de crime demonstra a ineficiência da polícia e da justiça em combatê-lo. Quando bandidos se acostumam com um determinado tipo de crime, algo está errado -- e não é apenas a voracidade dos marginais.
É claro que a população deve fazer sua parte. A denúncia é uma arma poderosa no combate ao crime; ela demonstra que a sociedade não está disposta a se curvar diante da ação dos bandidos. Esses criminosos não vivem isolados; eles têm comparsas e receptadores de objetos roubados; eles têm parentes e amigos que toleram seu banditismo. Como se trata de sujeitos covardes totalmente desprovidos de escrúpulos, não há criminoso que não esteja disposto a denunciar seu parceiro de crime. Para que a denúncia exista, basta que ele vislumbre a recompensa adequada.
A melhor recompensa para quem denuncia um criminoso é não ir para a cadeia. Cumplicidade é crime, assim como a receptação de objetos roubados. A única atitude correta quando se tem conhecimento de um crime é denunciá-lo e denunciar seus autores.
Embora problemas como o desemprego e a corrupção sejam preocupações constantes para a população brasileira, nada se compara com a violênicia urbana. Não há nada mais importante do que a certeza de poder voltar são e salvo para casa, de não ter sua casa invadida por marginais, de não ser vítima de um assalto, de um seqüestro ou da guerra entre traficantes. Não há nada mais importante do que viver num lugar totalmente livre de violência. É claro que é impossível encontrar um lugar assim. Onde há pessoas há pelo menos a possibilidade da existência de crimes. Mas é possível reduzir essa possibilidade com ações preventivas simples, com leis severas, com investigações e policiamento eficientes.
O crime existe onde há espaço para ele. O criminoso é covarde por definição; ele buscará sempre as situações onde os ganhos e a possibilidade de sucesso são maiores. Ele evitará lugares em que a polícia é eficiente, em que a população não tolera sua presença e está devidamente protegida e prevenida contra sua ação.
Ilhabela não parece ser um lugar assim. O crescimento rápido e desordenado atraiu todo tipo de criminoso. A criminalidade crescente manchou sua tranqüilidade original. O paraíso acabou, não apenas porque praias e cachoeiras estão poluídas, mas também porque a violência tomou conta da cidade. Muitas pessoas deixaram as grandes cidades para viver em Ilhabela e viram-se forçadas a levar aqui o modo de vida que tinham antes, com grades, cercas elétricas, vigilância particular e a mesma insegurança que as aterrorizava.
Tudo isso me surpreende, não por ter sempre julgado Ilhabela imune à violência que afeta todo o país, mas justamente porque este lugar tem características propícias a que esse problema seja controlado por aqui. Citei, no início deste texto, características físicas que permitiriam ações preventivas. As dimensões e os limites físicos bem definidos facilitam investigações, o controle de entrada e saída do município e a vigilância constante. Não são ações impossíveis ou difíceis. Por que não colocá-las em prática? Por que abandonar a população à própria sorte? Por que agir como se nada estivesse acontecendo?
Convido cada internauta de Ilhabela a divulgar este texto a seus amigos e conhecidos, a divulgar suas experiências com a falta de segurança nesta cidade, a relatar, ainda que anonimamente, suas tragédias pessoais. Não peço isso para que criemos a idéia de que estamos vivendo num inferno -- embora para muitas pessoas isso seja verdade --, mas para que talvez os responsáveis por melhorar as condições de segurança em Ilhabela efetivamente façam algo.
*
Estatísticas oficiais sobre os índices de criminalidade de Ilhabela podem ser obtidos no saite da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
domingo, fevereiro 19, 2006
Pergunto
Quanto a Prefeitura de Ilhabela cobra pelo alvará das barraquinhas que vendem CDs e DVDs piratas na rua da Padroeira, Vila, todas as manhãs de sábado?
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Turismo e transporte - parte I
Discute-se, com excesso de calor, a criação de uma taxa que desacelere o turismo que é predatório desde que Ilhabela tornou-se destino badalado. Discute-se também se moradores não devem ter prioridade na fila das balsas.
Alguns -- como eu -- dizem que estas propostas são inconstitucionais. Outros -- e às vezes eu faço parte deste grupo também -- dizem que a Constituição Federal tem valor legislativo menor que um gibi da Mônica e que ignorá-la é um dever do cidadão de bem. Nem tão lá, nem tão cá. Vejamos.
Sobre criação de taxas, soy contra. Cria-se uma taxa: para onde vai o dinheiro? Ainda que ele realmente seja aplicado naquilo a que se destina, por quais caminhos ele passará até que cumpra seu objetivo? Quanto desse dinheiro será efetivamente utilizado para o bem comum e quanto será retido pelas peneiras da corrupção? Num país que já cobra 40% de tributos de todos os cidadãos -- eu, você --, propor novos tributos deveria ser motivo para execração pública.
Políticos deviam se envergonhar de criar novos impostos. Não apenas porque eles oneram o já sofrido contribuinte, mas porque demonstram a incapacidade dos políticos para resolver os problemas da sociedade sem recorrer à solução fácil e definitiva: meter a mão no bolso alheio.
Sobre facilitar o acesso do morador de Ilhabela à balsa, parece algo bom, embora eu já tenha me manifestado contra isso. Mecanismo simples e breve: uma fila especial para carros com placa de Ilhabela. O problema, contudo, não está em oferecer vantagens para o morador, mas oferecê-las justamente onde elas não são assim tão importantes.
Entre tantas coisas necessárias e importantes, por que diabos as pessoas se preocupam tanto com filas de balsa, com algo com que a maioria dos habitantes já se habituou? Por que não dedicar os neurônios a problemas realmente importantes, estratégicos, que de fato farão toda diferença para a cidade?
Para ficarmos apenas na questão do excesso de veículos -- pois foi daí que toda discussão surgiu --, há diversas soluções possíveis:
- melhoria no sistema de transporte público
- conclusão e ampliação da ciclovia, adaptação das vias públicas à presença constante do ciclista
- urbanização dos passeios públicos e calçadas
- implantação de hidrovia (a sério)
Todas estas idéias partem do seguinte pressuposto: Ilhabela pode e deve pensar em meios de transporte alternativos. Criar mecanismos de punição aos motoristas apenas cria mal estar entre população e poder público. Beneficiar quem não é motorista é uma forma mais adequada de dizer aos motoristas que eles devem deixar o carro em casa alguns dias por semana -- se possível todos.
Nos próximos posts tentarei analisar e detalhar cada um dos itens mencionados.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Programa de erradicação da paisagem
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Lógica elementar
Os lugares mal divulgados são, assim, derrotados pelos lugares bem divulgados. Eles permanecem vazios, sem movimentação econômica e cultural, restando apenas as atividades das pessoas que sempre viveram e que sempre viverão nesses lugares, suas histórias, seus costumes, os recursos naturais e as paisagens.
Qual lugar venceu?
domingo, fevereiro 05, 2006
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Serra Pelada é aqui
Foi mais ou menos assim: no começo dos anos 80, descobriu-se uma grande jazida de ouro em Serra Pelada. Com grande alvoroço, muitos garimpeiros de todo o país invadiram o lugar, cada um esperando enriquecer da noite para o dia. Alguns de fato obtiveram êxito.
Mas todo enriquecimento tem um preço. Neste caso, Serra Pelada tornou-se um símbolo da miséria social e ambiental que tem assolado o país nas últimas décadas. A terra foi contaminada com mercúrio e assolada pelas erosões dos garimpos. A cidade -- se é que podemos falar assim -- tornou-se terra sem lei e foi arruinada pela explosão demográfica, pelo crime e pela prostituição.
Qualquer semelhança com Ilhabela não é mera coincidência. A diferença é que o que em Serra Pelada eles chamam de ouro, aqui eles chamam de turista.
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