terça-feira, março 17, 2009

Vendo câmera fotográfica

samsung nv15

Estou vendendo uma câmera Samsung NV15, com as seguintes especificações:

-- 10.1 MPixels, altíssima qualidade de imagens para fotos e vídeos.
-- semiprofissional
-- lente alemã Schneider-Kreuznach
-- zoom 5x
-- diversos recursos e modos de funcionamento
-- reconhecimento de rostos e 'anti-shake'
-- flash retrátil
-- teclas sensíveis 'smart touch'
-- visor de 2,5"
-- filma com áudio
-- acompanha capa protetora original, cabos, carregador e cartão de 2GB de memória

Mais informações aqui.

Preço: R$ 500

Informações pelo email ilhabela[arroba]ig.com.br ou deixe um comentário neste post para que eu entre em contato.

quinta-feira, março 12, 2009

Versus

casa

Pode ser só impressão minha, mas talvez valha a pena expor aqui a idéia que me ocorreu para saber o que pensam os leitores que vivem ou visitam Ilhabela.

A idéia é a seguinte.

O que chamamos de Ilhabela é formado hoje de dois corpos distintos: o arquipélago e a cidade. O arquipélago tenta há tempos livrar-se da cidade, que só faz crescer e aumentar sua influência sobre ele.

A relação entre esses dois corpos é semelhante àquela observada numa pessoa tomada por um câncer ou outra doença grave. Doenças simples tendem a se espalhar e é o que de fato ocorre quando a condição física da pessoa é frágil e a doença grave. Em condições normais, a doença é eliminada naturalmente pelo corpo, que também se recupera de eventuais seqüelas deixadas pela doença.

O que se vê em Ilhabela é o esforço constante da cidade para ocupar mais e mais recantos preservados do arquipélago. Ao mesmo tempo, se fosse deixado em paz, o arquipélago faria a cidade se desmanchar -- que é o que se vê em ruínas históricas e em filmes que mostram a extinção da humanidade: construções tomadas pelas plantas, animais selvagens rondando ruas e casas cujas portas e janelas se desfizeram. Sem a cidade, as águas do Canal de São Sebastião voltariam a ser cristalinas e os peixes se multiplicariam. Seria o paraíso a que muitas pessoas se referem quando vêm para Ilhabela, conforme a idéia bíblica que o define como lugar bom, puro e intocado pelos vícios do homem.

Como só há sentido em analisar um lugar em que o homem está presente, percebemos facilmente que este lugar é regido por leis e por atividades humanas. Isto é, de um lado existe a necessidade constante de expandir a cidade, investir, construir, vender e revender e, claro, de manter esse moto contínuo. De outro, existem leis e esforços (pequenos, é claro) no sentido de limitar esse moto contínuo e de transformar aquela necessidade conforme as limitações naturais do arquipélago.

Ocorre no entanto que estes esforços sempre serão falhos. Em sentido estrito, vê-se que ninguém -- dos responsáveis pela elaboração de leis àqueles que as aplicam ou que as ignoram -- encontra-se numa situação tal que lhe permita afirmar com certeza que uma vida inteiramente natural é inerentemente boa. Em outras palavras, ninguém experimentou genuinamente uma vida natural e, portanto, ninguém sabe o que exatamente é o arquipélago, quais são suas qualidades e quais benefícios ele tem a oferecer para a cidade. Via de regra, todas as pessoas -- mesmo as mais ecologicamente xiitas -- trabalham no sentido de tentar conciliar cidade e arquipélago, o que parte sempre do pressuposto de que a cidade é algo bom. Mas não há conciliação possível: a cidade é um processo, o arquipélago é um dado. E se não há conciliação possível, todo esforço nesse sentido cai no vazio que mantém o crescimento da cidade tal como ele sempre foi, assim como mantém também o eterno conflito entre cidade e arquipélago.

A ignorância em relação à impossibilidade de conciliar cidade e arquipélago garante a repetição do processo de destruição do arquipélago. Esse processo pode ser suavizado, mas sem a compreensão do que é a cidade (um processo) e do que é o arquipélago (um dado), não há qualquer conciliação possível.

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quarta-feira, março 11, 2009

Causar, desfrutar, faturar



Meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto
O turista, por definição, está dispensado de ter pleno conhecimento do lugar que visita. Não importa para ele se Ilhabela não é exatamente como aparece no cartão postal, importa apenas que haja sol e que ele possa se divertir — há varias empresas e estabelecimentos dispostos a enfeitiçar o turista. Se as praias e as cachoeiras estiverem sujas (estão), piscinas e cervejas geladas garantirão o frescor dos feriados e finais de semana. Nestas condições o turista ignorará o fato de estar em Ilhabela. Alegria e êxtase à mesma proporção do volume do som e do teor de tóxicos no sangue e na alma do sujeito. Os verbos do turista são festejar e, como diz a moçada, causar (outrora conhecido como “gazetear”).

terça-feira, março 03, 2009

O ralo de Ilhabela

esgoto praia

Meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

O mar não suporta tudo. O Canal de São Sebastião, dadas suas características geográficas, suporta menos ainda. A ausência de mar aberto no lado mais povoado de Ilhabela nos leva a depender do regime de marés para dissipar o esgoto que chega ao mar. Nem sempre ele se dissipa; às vezes o esgoto fica passeando entre as praias banhadas pelas águas do Canal de São Sebastião. A única vantagem desse estado de coisas é que aqui o cocô sempre bóia e o mar sempre fede, denunciando os maus tratos constantes. O Canal de São Sebastião é um ralo sem sifão. No lado urbano de Ilhabela não há mar aberto que permita dissolver o esgoto antes que ele seja notado; ele sempre será notado — visto, aspirado, engolido, sentido na pele. Não há miopia, ignorância ou incompetência que impeçam o sujeito de notar a decadência das praias ilhabelenses ou que possam torná-lo imune à micose.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Miudezas da Câmara

ilhabela vila


Logicamente nem tudo se resume a miudezas, mas tenho observado as ações recentes da Câmara e tenho ficado surpreso com a insistência de alguns vereadores em ações como

-- Reinício de obras de pavimentação na Rua da Senzala
-- Manutenção, limpeza e extensão da rede elétrica na SP 131
-- Transformar “pedras do sino” em Patrimônio Histórico


(trechos dos títulos das notícias recentes da Câmara)

Nada contra as miudezas e eu sei que essas ações são, muitas vezes, parte do compromisso que alguns vereadores assumiram com suas respectivas comunidades.

O que me incomoda é que enquanto isso questões fundamentais para todo o município simplesmente não são discutidas ou resolvidas. Por exemplo: a questão fundiária de Ilhabela, com construções irregulares e graves conseqüências ambientais. Outro exemplo: a violência em Ilhabela está longe de ser um assunto banal. Mais um exemplo: a balneabilidade das praias.

O vereador não precisa ser super pró-ativo, basta fiscalizar a atuação do Executivo, basta acompanhar o andamento de suas ações, basta usar seu nome e status para cobrar ações dos órgãos competentes. Mas, concentrado em miudezas, dificilmente haverá a consciência da importância dos temas que afetam toda a cidade.


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sábado, fevereiro 07, 2009

Preparando a própria forca



Meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

É a moral que leva o empresário a explorar o turismo; a falta de moral leva-o a explorar o turista. A diferença é evidente, mas a confusão entre essas duas atitudes é possível quando o empresário não tem (ou não quer ter) a noção do que a moral representa para seu negócio. Ignorando a moral, o empresário não verá diferença entre explorar a atividade e explorar pessoas; logo estará explorando não só seus clientes, mas também seus funcionários e todos aqueles que de alguma forma poderiam ajudar seu negócio. No início isto poderá elevar o faturamento; com as burras cheias de dinheiro, o empresário pensará que está no rumo certo e continuará a explorar as pessoas. Eventuais problemas com clientes e funcionários serão tratados com a frieza necessária para enxotar e demitir, respectivamente — afinal, todos são livres para buscar outro estabelecimento para consumir ou trabalhar. Não haverá limites para enganar funcionários, modificar salários e contratos e, claro, sapecar calotes a três por dois. Com o tempo, as opções do caloteiro explorador diminuirão e o bom nome tornar-se-á cada vez mais rarefeito. Mas é surpreendente a tolerância que a sociedade tem com esses indivíduos. (...)


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Esta discussão pode ser um bom complemento a este artigo.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Fim de janeiro

estátua ilhabela

A estáuta da rotatória -- por Michelangelo, o que é aquilo?!? Vereadores ilhabelenses discutem a retirada da estátua e há quem diga que se trata de discussão sem importância, que há prioridades maiores. Há, sem dúvida, mas a mancha à porta da cidade também é assunto importante. Símbolos têm um peso difícil de medir sobre o imaginário dos habitantes de uma cidade.

Imagine o Rio de Janeiro sem o Cristo Redentor, ou Nova York sem a Estátua da Liberdade. Logicamente estes símbolos nem sempre estiveram lá, mas uma vez instalados, ajudaram na construção de uma identidade nos moradores daquelas cidades.

Não acho que seja prioridade substituir a estátua -- que pretendia representar um caiçara --, mas considero prioritário tirá-la de lá. Vai que as pessoas começam a se identificar com o monstrengo.

Confusões no Curral -- a DPNY tornou-se notícia em duas importantes revistas (VejaSP e IstoÉ) por conta de brigas ocorridas nas dependências daquele hotel. Vale a pena ler as duas matérias. De minha parte, espero que tudo seja minuciosamente apurado e os responsáveis sejam punidos.

Desde os anos 80 o Curral tem sido a praia mais badalada de Ilhabela. Criou-se aí um ambiente diferente do das demais praias de Ilhabela, movido a turismo de massas, mesas e cadeiras na areia da praia, muita concorrência entre todos aqueles que tentam se aproveitar financeiramente da grande movimentação comum nas temporadas e feriados.

O que houve na DPNY reflete de algum modo o tipo de ambiente em que o Curral se transformou: uma praia em que, mesmo com areia, sol e mar, as pessoas esquecem que estão em Ilhabela e transformam horas tranqüilas numa busca nervosa por um relaxamento que nunca virá.

Ciclovia -- entre as inúmeras discussões deste primeiro mês de nova gestão municipal, merece destaque aquela sobre a ciclovia. Discutem-se formas de melhorar e ampliar a ciclovia de Ilhabela. Entre as idéias disponíveis, há a perspectiva de desapropriar imóveis na orla (em especial no Perequê e no limite entre Itaguassu e Engenho d'Água) ou construir ciclofaixas. Esta opção se mostra mais viável e prática -- e é a que prefiro, como ciclista e como arquiteto.

Embora pareça assunto menor, a ampliação da ciclovia trará melhores condições para moradores, veranistas e turistas e, claro, reduzirá os problemas no trânsito de Ilhabela, marcado por diversos acidentes de moto e carro, alguns envolvendo ciclistas.

Mar de lama -- com chuva todas as semanas desde outubro, as praias do Canal de São Sebastião têm-se mostrado sistematicamente impróprias para banhos de mar. Isso prova -- como se já não houvesse provas suficientes -- que um dos maiores problemas para as duas cidades banhadas pelas águas do Canal é o saneamento básico (ou a falta dele).

A Sabesp tenta fazer sua parte, em vão. A Prefeitura de Ilhabela parece especialmente disposta a melhorar significativamente esse problema a partir deste ano. Trata-se de questão de saúde pública e de economia. Sem mar limpo o turismo torna-se inviável.

Falecimento -- morreu nas primeiras horas da última terça (dia 27 de janeiro de 2009) meu avô Francisco Rocha. Turistas, veranistas e moradores que estiveram em Ilhabela nas décadas de 70 e 80 certamente conheceram o "Seu Chico", como era conhecido meu avô, pioneiro do ramo das farmácias em Ilhabela. Era ele o responsável por tratar turistas pegos por águas vivas ou com espinhos de ouriço no pé numa época em que sua farmácia era parte importante do sistema público de saúde. Em 2007 escrevi este post, que fala um pouco mais sobre ele.
http://ilhabela.blogspot.com/2007/10/planto-de-farmcias.html

O velho Chico fez parte da história de Ilhabela. Ele veio para esta cidade em 1973 e esteve à frente da Farmácia e Drogaria Esperança até o início da década de 90, quando se aposentou e passou a direção do negócio para os filhos.

Meu avô havia completado 86 anos no dia anterior ao seu falecimento. A fragilidade de seus últimos anos esconde uma vida vivida intensamente, com lutas e vitórias constantes, realização e plenitude.

Que fique com Deus e descanse em paz.

sábado, janeiro 24, 2009

O espírito da coisa


A verdade é que esta cidade não produz nada. As pessoas vêm para cá, divertem-se, consomem, produzem lixo e esgoto e vão embora — ou permanecem, para continuar fazendo essas coisas pelo tempo que seu apreço por este lugar perdurar. Tudo se resume a isso. Quase todas as pessoas que aqui vivem dedicam-se a tornar esse processo cada vez mais fácil: quanto mais pessoas vierem, maior será o faturamento, maior será a prosperidade superficial que nada devolve de positivo para o arquipélago. A verdade é que este lugar estaria melhor sem nós, sem o turismo, sem ruas rasgando-lhe o tecido, sem construções que demandam desmatamento, sem o esgoto que polui o solo e as águas, sem ocupações ordenadas ou desordenadas, sem a pressão sobre os limites de áreas preservadas e frágeis.
Leia na íntegra meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Verão em Ilhabela: só para turistas


Tudo tem um preço, mas em Ilhabela isso pode ser bem pior.

Escrevi isto hoje na comunidade Ilhabela do Orkut:
Estive num restaurante de Ilhabela em novembro último. Consternado e contrariado, paguei R$3,00 por um latinha de refrigerante -- porque a sede e o momento pediam. No mesmo restaurante, neste verão, constato que a mesma bebida -- uma coca comum -- havia saltado para R$4,50. E uma reles garrafinha de água mineral beirava os R$4,00 -- algo que pode ser comprado em qualquer mercado por menos de R$1,50.

Eu gostaria de entender o que leva a isso. Sei que pesa muito a questão oferta x demanda e é natural que num restaurante uma bebida custe um pouco mais do que custaria num mercado, por exemplo. O que me deixa encafifado é que no mercado uma garrafa de água que custa, suponhamos, R$1,50, obviamente tem embutido nesse preço o lucro que o mercado terá, que em produtos desse tipo beira os 100%. Se esse mesmo produto que no mercado é vendido por R$1,50 é vendido por R$4,00 no restaurante, isto significa um lucro muitas vezes maior do que aquele obtido pelo mercado.

Alguns donos de restaurantes poderiam argumentar que isso se deve ao fato de que os custos de um restaurante serem maiores e os ganhos serem inconstantes (sazonais), enquanto que um mercado proporcionalmente tem custos menores e faturamento o ano todo. Mas eu vejo que esse tipo de argumentação -- se realmente existe e procede -- é usada para sustentar certos abusos.

Além do abuso que uma lata de bebida a R$4,50 significa, há também o fato de que isso praticamente afasta os moradores desses estabelecimentos, dado que a maioria dos moradores não tem o mesmo poder aquisitivo da maioria dos turistas que vêm para Ilhabela no verão. Isso não era para ser um problema sério, mas a presença constante dos moradores nesses estabelecimentos poderia justamente reduzir o problema da sazonalidade que esses mesmos estabelecimentos enfrentam fora das temporadas.

Não pretendo postular que regras devem ser criadas etc. etc., mas de minha parte simplesmente não vou mais a esses estabelecimentos ou, se vou, simplesmente não consumo nada cujo preço considero abusivo.

Ilhabela tem restaurantes ótimos com pratos excelentes e, de um modo geral, preços razoáveis pela qualidade desses pratos e de seus serviços, mas o abuso nos produtos cujos preços as pessoas raramente verificam nos cardápios (bebidas, principalmente) mostra o nível e as intenções dos gerentes. Todo garçom, aliás, é instruído a perguntar quatrocentas vezes se o cliente quer beber alguma coisa. Claro, bebida dá mais lucro que comida para os restaurantes.

(...) A oferta e a demanda explicam isso -- e a grande presença de turistas reforça a tese. O ponto importante é que isso não torna os preços justos. Oferta x demanda explicam, mas não justificam -- e acima do mercado pode estar o bom senso do comerciante (para cobrar preços justos) e do consumidor (de simplesmente recusar preços abusivos, mesmo podendo pagar por aquilo).

Eu não questiono valores de pratos (v. post do Eugen), porque sei que se trata de criação/produção particular. Vejo a gastronomia como uma espécie de artesanato, e o artista tem o direito de cobrar o que quiser. Se se trata de um PF ou de um lanche, a coisa muda de figura. Um x-burguer, a despeito das variações possíveis, sempre será um x-burguer e é razoável que o preço varie pouco.

De forma análoga citei o caso das bebidas -- uma coca em lata é uma coca em lata em qualquer lugar, seja no Aracati, no Free Port ou no DPNY. Muita coisa explica diferenças enormes de preço entre esses estabelecimentos, mas o que justifica essas diferenças? Nada.
Desnecessário comentar aqui o que escrevi por lá, mas talvez outros consumidores e alguns empresários queiram comentar esse assunto. Para isso, sirvam-se da área de comentários.

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sexta-feira, janeiro 09, 2009

Bons ventos



"No primeiro fim de semana de 2009, a solução mais genial para a fila recorde foi dar meia volta e aproveitar mais um dia em Ilhabela — em outras palavras, simplesmente estar no arquipélago. Quem permaneceu na fila já estava longe de Ilhabela, em algum lugar do continente."


Clique aqui para ler na íntegra meu artigo mais recente publicado no jornal Canal Aberto.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Aviso

Os links dos artigos indicados neste blog referem-se ao endereço antigo de meu site, já desativado. Por isso, eles não funcionarão.

Todos os artigos aqui indicados podem ser encontrados agora em meu novo endereço:

christianrocha.wordpress.com

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À parte isso, as atualizações neste blog continuarão normalmente -- às vezes esparsas, mas continuarão. Em breve postarei o link para o artigo desta semana.

A todos que me acompanham aqui, muito obrigado.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Qual a surpresa?


De cima é até bonito.


Você se surpreende com as 9 horas de fila para a balsa, com os congestionamentos, com os assaltos, com o excesso de gente até para fazer xixi, com as praias bosteadas, com os barcos disputando espaço com os jet-skis disputando espaço com os banhistas disputando espaço com as mesas disputando espaço com os cachorros. Você se surpreende com tudo isso e não consegue ver, lá atrás, o começo disso tudo?

Na década de 80 já se anunciava que os próximos verões seriam exatamente como este têm sido.

O que me surpeende mesmo é tanta gente se surpreendendo porque descobriu que 1+1=2. Minha avó já dizia que quem planta vento colhe ventania.

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sexta-feira, dezembro 26, 2008

Feliz 1989

pequea

Chega o fim do ano e inevitavelmente as pessoas fazem planos e balanços, que incluem uma análise dos meses que passaram, das ações e realizações. Realismo é sempre bem-vindo; não é possível querer já no próximo ano tornar-se o presidente de uma grande corporação se ao longo deste ano você nem sequer concluiu os estudos. As pretensões podem ser grandes, mas tudo tem seu próprio tempo. Entre concluir os estudos e tornar-se presidente de uma grande corporação existem etapas que precisam ser cumpridas necessariamente. O que diferencia o zé ninguém do sujeito bem-sucedido é essa noção de ordem dos fatores, de crescimento progressivo, de dependência daquilo que se realizou antes.

Leia na íntegra meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Crianças mimadas II


Suponhamos que você discuta com seu vizinho porque ele ouve música alta nas horas mais inconvenientes do dia e da noite. O som do vizinho não deixa você dormir em paz, atender o telefone ou ver TV. Você tenta conversar com ele, sem resultados. Sem chances de uma solução pacífica, você decide recorrer à polícia e descobre que pouca coisa pode ser feita. Inconformado, você decide apelar à Câmara Municipal e se desdobra para colocar em discussão um projeto de lei que obrigue todos ao silêncio — inclusive seu vizinho.

Leia na íntegra meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

sábado, novembro 22, 2008

Quase Verão

turismo de massa

--- Os lemas do verão 2008-2009 poderiam ser silêncio e civilidade. De outra forma, Ilhabela continuará sendo apenas mais um destino turístico entre tantos outros onde sobra babaquice.

--- Quantidade e qualidade geralmente estão em proporção inversa; isto é especialmente válido para o turismo e para o trânsito. Pense nisso antes de se chafurdar na alta temporada.

--- O poder público pode fazer muito, mas não pode fazer tudo -- mesmo em benefício próprio. O indivíduo pode fazer quase nada, mas pode fazer alguma coisa -- mesmo em benefício de todos.

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sexta-feira, novembro 21, 2008

Cidadão pró-ativo

pró-atividade
Você reclama dos congestionamentos mas não é capaz de deixar o carro na garagem e usar uma bicicleta; você reclama das praias poluídas mas não é capaz de dizer para onde vai o esgoto da sua casa; você reclama de pessoas mal educadas mas não é capaz de agir com calma e civilidade quando se vê diante de um exemplar da espécie. Por que o cidadão pró-ativo é tão raro? Primeiro porque ele não sente sua ligação com a cidade. A cidade é para ele um corpo estranho, incompreensível, não raro uma ameaça aos seus próprios interesses, um obstáculo a ser vencido. A maioria das pessoas não vive na cidade, vive apesar da cidade — e deseja viver em outra cidade, o que é muito comum onde há mais migrantes do que nativos.(...)

Leia na íntegra Cidadão pró-ativo, meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Sólida instituição ilhabelense

fofoca
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Meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.

Não é a Prefeitura, não é a Câmara ou o Fórum. Também não são as rarefeitas tradições caiçaras ou a família ou o casamento ou o veranismo. A mais sólida instituição ilhabelense é o boato — também conhecido como fofoca, mexerico, fuxico, babado, tramóia, intriga ou, no jurídico, difamação.

Você certamente já ouviu um. Talvez já tenha ajudado a passá-lo adiante. Talvez até tenha feito isso sem perceber que se tratava de boato, apostando na veracidade do que ouviu e na possibilidade daquilo ser útil e bom. Só que tem um problema. Um não, vários.

terça-feira, outubro 28, 2008

Politicamente atrofiados

urna eletrônica
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Leia na íntegra meu artigo mais recente no jornal Canal Aberto.
Apesar da massa comum que disputa as eleições a cada dois anos — gente como eu ou você, ou um pouco menos —, é comum também a idéia de que o sistema político é complexo, insondável e incompreensível. Até hoje eu não sei de quê são feitas as leis, de onde elas vêm, do que se alimentam, e raramente encontro quem possa me explicar todas essas coisas. Eu vejo o noticiário político e imediatamente me vêm à cabeça todas as profecias sobre o surgimento do Anticristo, que, afinal, não é uma pessoa, mas um sistema, uma massa ou um labirinto. O nome desse labirinto é política. Candidaturas são a expressão do desejo de encontrar a saída desse labirinto e depois cobrar ingressos para que outras pessoas possam refazer o caminho dentro dele. O voto é uma espécie de aposta que se faz na capacidade daquele sujeito encontrar a saída do labirinto, mesmo quando ele está visivelmente mais perdido do que todos nós.

Tragédia anunciada

Vejam só.

Em 2006 a Praça das Bandeiras foi completamente destruída em nome de um projeto de reurbanização. Várias árvores antigas tombaram; a praça ficou totalmente desfigurada, assim como a memória da Vila. A nova praça é simpática, mas as cicatrizes permanecem.

Nestas últimas semanas tenho verificado que as transformações continuam e a idéia é continuar desfigurando a Vila.

Recentemente a rua da Padroeira foi alargada no trecho que corresponde à EEPSG Gabriel Ribeiro dos Santos. Isto implicou três transformações cujo valor ainda não me é evidente:

1) A calçada foi reduzida nesse trecho. Pode-se argumentar que transitam por aí poucos pedestres e que, por outro lado, a necessidade de espaços para automóveis é cada vez maior. Isso demonstra a prioridade da intervenção: veículos em vez de pessoas.

2) Os carros estacionam em 45°, mesmo que não haja placa indicando que isso deve ser feito. Se o objetivo era melhorar o trânsito nesse trecho, isso não ocorre especialmente quando veículos de grande porte estacionam em 45°.

3) A redução do nível do piso expôs as raízes das árvores, enfraquecendo-as. Uma delas tombou num vendaval recente; não há nada que assegure que as outras duas árvores restantes não terão o mesmo destino. A ausência de trabalhadores no local há vários dias sugere que a obra está terminada e o objetivo é mesmo deixar as árvores com raízes expostas até que venha o próximo vendaval.

Naturalmente, o 1º e o 2º itens não preocupam tanto quanto o 3º. Pouco espaço para pedestres e trânsito confuso são café pequeno diante da possibilidade de uma árvore cair em cima de alguém ou de algum carro.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Pesquisa Ibope 2008 revela: somos bundas-moles

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A pesquisa do IBOPE 2008, realizada em parceria com a ONG Nossa Ilha Mais Bela, revela algo que todos já suspeitávamos: somos bundas-moles.

73% dos entrevistados acredita que os problemas da cidade são responsabilidade da Prefeitura. Outros 10% citaram alguma outra esfera governamental. Somente 7% dos entrevistados acham que a responsabilidade é da população. A imagem acima (clica para ampliar) mostra os números da pesquisa.

O arquivo completo da pesquisa IBOPE 2008 pode ser encontrado aqui.

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Se você pensa como a maioria, talvez deva ler este artigo, que publiquei no falecido Jornal da Ilha em 2005, e pensar mais uma vez.


República Socialista de Ilhabela
8 de maio de 2005
Christian Rocha


Pergunte a qualquer pessoa de Ilhabela sobre as principais realizações da Prefeitura. Cidadãos satisfeitos mencionarão as ruas pavimentadas, o hospital municipal, as escolas, a reforma da Vila e os cruzeiros marítimos. Cidadãos insatisfeitos mencionarão a expansão imobiliária, a poluição das praias e dos rios, o aumento da violência e os problemas de trânsito nos feriados. Todos destacarão pontos positivos ou negativos e ficarão muito longe daquela que, até o momento, foi a principal realização da gestão Manoel Marcos: a ampliação da estrutura e da influência sócio-econômica da Prefeitura sobre a cidade.