Segunda-feira, Abril 16, 2012
O que queremos?
Trocamos o que temos, que é essencial e que só existe neste arquipélago por coisas de que não precisamos e que podem ser encontradas em qualquer parte. Hoje, por exemplo, valoriza-se mais uma piscina do que a qualidade das águas do Canal de São Sebastião.
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A vocação de todos nós, moradores de Ilhabela, é sermos admirados pelos moradores das grandes cidades por nossos modos de vida intimamente ligados às condições e aos ritmos naturais do arquipélago. Desde a travessia marítima somos convidados a viver em outra velocidade.
Nas últimas décadas, não apenas temos ignorado esta vocação como também temos admirado e copiado modelos, princípios e valores que só servem aos moradores das grandes cidades. Reproduzimos estes modelos no arquipélago, orgulhosos de uma aparente «modernidade», e depois nos surpreendemos quando estes modelos, princípios e valores resultam nos mesmos problemas observados nas grandes cidades.
Resumindo: se você vive em Ilhabela, viva para Ilhabela. E se você não sabe o que é Ilhabela, comece a olhar ao redor.
Domingo, Março 04, 2012
Santuário Ecológico Marinho de Ilhabela JÁ
Acompanhei a manifestação realizada ontem na Vila pela sociedade civil contra a ampliação do porto de São Sebastião. Entendo os elementos emocionais que levam à realização de tais ações, mas, na melhor das hipóteses, coisas assim são muito ingênuas. Digo isso por dois motivos.
O primeiro é o fato de que manifestações públicas por definição não propõem nada. E a manifestação de ontem não foi diferente; seu resumo é «não queremos o porto, o porto é mau». Essa foi a «mensagem» transmitida, em nada diferente do que já vem sendo dito há muito tempo inclusive por pessoas mais esclarecidas e mais dispostas a buscar e a transmitir informações consistentes.
O segundo é o fato de que quem precisava receber a mensagem dificilmente se abalará com um punhado de crianças e adolescentes obviamente bem intencionados gritando palavras de ordem repetidas ad nauseam em redes sociais. Desde o Fora Collor, políticos e burocratas estão absolutamente acostumados a lidar com manifestações públicas. É compreensível que pessoas em idade escolar se disponham a isso, mas não é compreensível que até hoje não tenha surgido uma idéia, uma estratégia, um caminho que realmente indique que há alguma possibilidade real de que o governo desista das suas birutices.
Mas eis que surge uma idéia.
Sábado, Março 03, 2012
Notas sobre ampliação do porto de São Sebastião II
Neste sábado, 3 de março de 2012, a sociedade civil de Ilhabela deverá fazer uma manifestação contra o projeto de ampliação do porto de São Sebastião. Oportunista que sou, permitam-me aproveitar o momento para oferecer novamente meus cinco centavos sobre o assunto.
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Dezembro passado escrevi algumas coisas sobre o assunto e ao final do texto concluí que o melhor é evitar não apenas o projeto de ampliação do porto, mas qualquer ação que implique mais «desenvolvimento regional» para o Litoral Norte. Coloco aspas em «desenvolvimento regional» porque quando se fala disto notamos desenvolvimento para setores específicos do Estado de São Paulo como um todo (indústrias, por exemplo) e um pesadíssimo ônus social e ambiental para a região que recebeu o magnífico empreendimento. Cubatão é um exemplo clássico dessa palhaçada estatal travestida de conto de fadas.
Não apenas em razão de exemplos trágicos como o de Cubatão, todos sabemos aonde o «desenvolvimento regional» leva e sabemos também que mesmo o melhor cenário futuro não será tão bom quanto o cenário atual e será infinitamente pior do que o cenário de 30 ou 40 anos atrás. Em outras palavras, o Litoral Norte está piorando e uma das propostas do Governo do Estado de São Paulo é acelerar este processo através da realização de obras que obviamente intensificam os fatores de degeneração social e ambiental. Genial.
Só que...
Quarta-feira, Janeiro 18, 2012
Pelo fim do TEBAR
Era para ser um santuário...
O Terminal Marítimo Almirante Barroso já deu o que tinha que dar. Além das novas tecnologias de extração e transporte de petróleo, o mundo cada vez mais se volta às fontes de energia renováveis.
Já passou da hora de desativar essa porcaria. Transformem o extenso atracadouro de petroleiros num píer para pescadores e para turistas. Libertem o Canal de São Sebastião da dança macabra de petroleiros e rebocadores e do risco constante de acidentes terríveis, como derramamentos de petróleo e coisas ainda piores.
Desativem e desmontem os tanques no centro da cidade de São Sebastião. Aquela área gigantesca serviria muito bem como centro turístico, como extensão do Parque Estadual da Serra do Mar, que a duras custas resiste à expansão urbana.
Reconheçam a verdadeira vocação do arquipélago de Ilhabela e de seu entorno: era para ser um santuário, nada menos do que isso.
Ainda dá tempo.
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Eu sei que a idéia é maluca e inexeqüível, mas me respondam:
1) Do que propus acima, o que pode ser feito?
2) O TEBAR é o reflexo de um país motorizado. O que seria necessário fazer para que uma proposta de desativação do TEBAR não pareça maluca?
3) Como seriam as coisas se Ilhabela fosse para o Estado de São Paulo o que Fernando de Noronha é para o Brasil?
4) A minha idéia é mais maluca do que a da Companhia Docas?
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Considerem também o seguinte:
1) Se a Companhia Docas ignora a vocação desta região e propõe uma expansão de um tipo de infra-estrutura que já trouxe problemas suficientes, eu, como cidadão comum, tenho o direito de elaborar propostas também. Todo mundo tem esse direito.
2) A simples proposição de idéias não significa muita coisa, mas significa mais do que apenas indignar-se com as cagadas dos desenvolvimentistas. Se eles querem ser ouvidos, peço que me ouçam também e que ouçam todos os que tiverem outras idéias. Coloquem todas as idéias em discussão. Abram a discussão. Considerem, por um instante, que as comunidades caiçaras que viviam no lado continental de Ilhabela ainda têm tanto direito sobre este arquipélago quanto a Petrobrás, a Companhia Docas, a Prefeitura de Ilhabela e qualquer outra comunidade, instituição ou grupo.
3) A vocação de Ilhabela e do Litoral Norte de um modo geral não foi totalmente destruída. Recentemente muitas pessoas testemunharam a presença de baleias no Canal de São Sebastião. Ainda há pessoas que se admiram com isso e que vêem em fatos desse tipo TODA a razão de ser deste lugar. Realmente, ainda dá tempo de fazer algo para resgatar essa vocação.
Segunda-feira, Dezembro 12, 2011
Notas sobre a ampliação do porto de São Sebastião
Eis uma coleção de anotações sobre a discussão do mês no Litoral Norte.
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Toda semana vou a Caraguatatuba, onde comecei a trabalhar uns meses atrás. Sabe o que vejo por lá? Uma cidade em efervescência.
Na memória trago imagens de Caraguatatuba de mais de vinte anos atrás. Era um lugar decadente. Àquela época era difícil imaginar que essa cidade poderia tornar-se algo além de mera passagem rodoviária para as demais cidades do Litoral Norte. Decerto Caraguatatuba não tem as belezas naturais das cidades vizinhas, mas hoje tem algo que elas não têm: mais de 100 mil habitantes, que infelizmente precisam consumir, deslocar-se e habitar e que inevitavelmente produzem lixo e esgoto.
O desenvolvimento econômico tem um preço, é claro, e com ele qualquer lugar fica exposto à avalanche de problemas urbanos que todos nós já conhecemos. A essência do que se convencionou chamar de «desenvolvimento sustentado» está justamente na possibilidade de obter desenvolvimento social e econômico sem esgotar os fatores que impulsionaram e que mantêm esse desenvolvimento.
O que torna o desenvolvimento sustentável possível? Três coisas:
1) governo disposto a aplicar o dinheiro público no bem público
2) população que preze o patrimônio social e ambiental
3) cultura e educação, somatória que dá origem aos dois itens acima
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Quem é contra a ampliação do porto de São Sebastião está fazendo a lição de casa? Eu queria saber:
- Quantas dessas pessoas foram à audiência sobre a ampliação do porto a pé ou de bicicleta?
- Mesmo que não usem estes meios de transporte, quantas pessoas estão realmente dispostas a usá-los?
- Quantas dessas pessoas votaram (ou ainda votam) no PT e no PSDB e em seus aliados?
- Quantas dessas pessoas chegam a fazer campanha para estes dois partidos e para seus aliados?
- Quantas dessas pessoas têm mais de um aparelho de TV em casa?
- Quantas dessas pessoas consomem mais do que precisam?
- Quantas dessas pessoas se esforçam para reduzir o consumo e a produção de lixo?
- Quantas dessas pessoas realmente sabem qual é o destino do lixo e do esgoto produzido em suas casas?
- Quantas dessas pessoas ainda acreditam no aquecimento global?
- Quantas dessas pessoas acreditam que é preferível entregar a Amazônia às ONGs estrangeiras a permitir que ela seja administrada (e, possivelmente, devastada) pelas mãos dos próprios brasileiros?
- O que essas pessoas têm a dizer sobre a evolução da condição ambiental de Ilhabela nos últimos 40 anos? Elas se banham nas praias do Perequê, do Saco da Capela e do Itaguassu? Se não, por que? Se sim, quantas micoses e otites nos últimos anos? Que tal a fragrância de esgoto?
Quinta-feira, Novembro 03, 2011
Morar em Ilhabela
Muitas pessoas têm me mandado emails pedindo informações sobre morar em Ilhabela. As perguntas vão desde as minhas impressões sobre este lugar até itens mais objetivos, como custo de vida e perspectivas de obtenção de trabalho.
Este post tem como objetivo reunir as informações que tenho transmitido a essas pessoas e acrescentar mais algumas que, acredito, podem ser úteis para quem pensa em morar em Ilhabela num futuro breve.
Por partes.
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Segunda-feira, Julho 25, 2011
Anti-cidadania

A cidadania começa quando o indivíduo torna-se capaz de ver-se como alguém dotado de um mínimo de autonomia e de responsabilidade pelos próprios atos. Só depois disso é possível compreender os acontecimentos públicos e as idéias correntes, bem como o papel que o próprio indivíduo tem nisso tudo. Não há melhor definição de anti-cidadania do que a imagem do sujeito que se queixa do mau cheiro de um lugar sem perceber seus próprios dejetos espalhados no chão.
Trecho de meu artigo mais recente, publicado no site da TV Ilha.
Para ler na íntegra, clique aqui.
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