Conforme anunciei no último dia 4, meu site pessoal está em novo endereço.
gropius.org
Visitas, comentários, críticas e sugestões são bem-vindos.
A todos, muito obrigado.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Lixo turístico
No litoral norte, muito trânsito, filas e lixo -- matéria publicada no portal Estadão de hoje.
A foto da matéria mostra uma imagem do lixo acumulado em Ubatuba, mas essa realidade tem poucas nuances ao longo de todo o litoral norte. O caos é geral. O lixo nem sempre é o problema mais visível, mas talvez seja o mais grave, seguido do trânsito, que praticamente congela todos os deslocamentos da cidade.
O que impressiona nisso é a lerdeza das pessoas responsáveis por planejar o turismo local -- sobretudo políticos, mas não apenas eles. Aqui em Ilhabela, fala-se agora aquilo que sempre foi visto e algumas vezes já dito: a cidade não suporta a quantidade de turistas que tem recebido nos últimos anos, os recursos e a estrutura são insuficientes, "Ilhabela vai afundar" etc. etc. etc.
"Nos últimos anos" não significa 3 ou 4 anos, mas algo que se repete desde o início dos anos 80. Nessa época muitos acharam razoável equipar as cidades e depois domar o turismo, que então já era intenso, mas não problemático como hoje. Ocorre que uma cidade equipada atrai mais e mais turistas, mais e mais investidores e muitos acharam razoável aproveitar esse desenvolvimento e equipar ainda mais a cidade, abri-la cada vez mais para gente disposta a investir em hotéis, pousadas, construção civil -- e depois, se sobrasse tempo, o turismo seria domado. E assim chegamos a 2007, seguindo a lógica do "vamos faturar, depois vemos como vai ficar". E ficou assim, exatamente como mostra a foto acima.
O problema é que quem tem o poder e a responsabilidade de domar o turismo sempre acha que a cidade agüenta mais um pouquinho sem regras para o bom funcionamento da atividade. E diz o ditado que nada é tão ruim que não possa piorar.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Problemas
Meu saite pessoal está provisoriamente fora do ar. Deve retornar em breve, em novo endereço e domínio próprio. Avisarei quando estiver tudo pronto.
Agradeço a todos a paciência e a atenção.
Agradeço a todos a paciência e a atenção.
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Casa nova
Meu saite pessoal mudou de endereço recentemente. Se o Insular é o espaço em que trato de assuntos ilhabelenses, o Gropius é onde trato de todos os outros assuntos -- os não-ilhabelenses.
Quem quiser conhecê-lo, clica aqui:
http://gropius.freehostia.com
Como de costume, comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, aqui ou lá.
A todos, muito obrigado.
Quem quiser conhecê-lo, clica aqui:
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terça-feira, dezembro 26, 2006
Muito barulho por nada
Sinceramente, é muita veadagem para algo insignificante. As coisas são muito mais simples: não gosta, não compre. Eu, pessoalmente, prefiro o cachorro-quente do Hot, na feirinha da rua São Benedito.
O único fato digno de menção é a respeito dos preços. Bob's é uma rede nacional de lanchonetes junk-food. A qualidade dos produtos, ipso facto, é garantida e idêntica em todas as lojas da rede. Supõe-se que os preços também sejam, certo? Errado. Em Ilhabela, o Bob's pratica preços ilhabelenses, que nesta época do ano são cerca de 50% maiores do que no resto do país.
Na minha opinião, um lugar que ainda estoura fogos de artifício durante quase todo o verão com o propósito de agradar turistas, merece ter junk-food pelo dobro do preço, com o mesmo propósito de agradar turistas. Se vier McDonald's, melhor ainda. "Menas" algumas árvores na Praça Coronel Julião, estará feita a conversão total da Vila em um posto avançado da capital paulista. Os turistas agradecem, os moradores babam o ovo e os políticos contam os dias que faltam para 2008 chegar.
Tarifa diferenciada por que?
Em temporada, o assunto travessia sempre retorna. Mas há uma pergunta que parece até meio estúpida porque até agora ninguém a fez:
Por que a tarifa da balsa é mais cara aos finais-de-semana?
A resposta mais comum é aquela que diz que a tarifa é mais cara aos finais-de-semana porque supõe-se que quem utiliza o serviço nesses dias não tem as mesmas necessidades das pessoas que o utilizam nos dias de semana. Basicamente, essa explicação é de uma estupidez gigantesca, porque sugere que todas as tarifas de transporte público adotem a mesma prática, já que a todas elas essa justificativa poderia ser aplicada. Imagine usar ônibus em São Paulo a R$2,30 nos dias de semana e a R$3,50 nos finais-de-semana -- é mais ou menos essa a proporção entre as duas tarifas da travessia em Ilhabela.
Outra resposta menos comum é aquela que diz que o uso aos finais-de-semana é mais turístico e que turistas, por definição, podem pagar o preço. Esta explicação equivale à anterior, com o agravante de fazer discriminação entre turistas e moradores e, possivelmente, entre turistas endinheirados e pé-rapados.
Independentemente de qual seja a resposta, as que encontrei até agora não podem ser consideradas razoáveis, tampouco suficientes para justificar essa prática imbecil. Fica a pergunta no ar, à espera de resposta.
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Os fogos e as andorinhas de Ilhabela
Danilo Giamondo, da ONG AMAILHA nos lembra de um aspecto fundamental na questão dos fogos de artifício:
"Algo mais real de ser discutido... se é que alguém se importa Se o fato abaixo acontece no centro da cidade, imaginem o reflexo na mata...! Como é sabido, anualmente recebemos diversos navios de cruzeiros que trazem turistas e desembarcam no centro de Ilhabela para uma visita a nossa cidade. É certo que a cada parada é cobrada uma taxa de desembarque por passageiros que deveria ser melhor utilizada pela administração pública.
"O fato é que para satisfazer o ego de alguns cegos, o município contrata e ou permite queima de fogos com a finalidade de desejar boa viagem aos turistas que estão nas embarcações. Ninguém percebeu ainda a agressão real que o barulho gerado por essas queimas de fogos normalmente tarde da noite, afugentaram as andorinhas que estavam alojadas para reprodução embaixo do telhado da câmara municipal.
"Para quem desconhece o assunto, as andorinhas são aves migratórias que anualmente migram do Canadá até o nosso litoral para reprodução e voltam ao país de origem para início do novo ciclo migratório. As aves de modo geral necessitam manter os ovos e os filhotes aquecidos durante a noite e período de chuva e frio. Contrariando a ignorância de alguns que alegam que as aves interpretam o barulho da mesma maneira como se fosse trovada, afirmo que as aves pressentem as trovoadas e se adaptam a situação da chuva e não conseguem se prevenir quando um imbecil resolve queimar fogos para dar tchauzinho a turistas. As aves abandonam assustadas seus ninhos e no escuro não conseguem voltar para a proteção dos filhotes e ovos ocasionando a morte dos mesmos.
"É simples, basta observar o ambiente no momento da queima de fogos ao invés de observar a luminosidade colorida gerada. Pratico isso todos os dias quando há navio ancorado no centro de Ilhabela e faço questão de mostrar aos mais jovens que por ali estão, já que é mais fácil educá-los do que contar com o bom senso dos adultos."
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Aberta a temporada de estupidez
Esse fenômeno de estupidez já foi objeto de um post neste blog, no verão passado. Se o fenômeno se repete, repete-se o post -- senão na íntegra, ao menos no conteúdo.
23:45 da noite de domingo, dia 10 de dezembro. Logo depois dos sinais de partida de um dos primeiros navios da temporada 2006-2007 estouram os fogos de artifício da Prefeitura Municipal de Ilhabela. Nesta hora é adequado deixar a formalidade de lado e dizer, com todas as letras, que se trata da coisa mais estúpida que o poder executivo municipal poderia fazer -- e repetir -- em ocasião dos navios de passageiro.
Enquanto o poder público faz um agrado pirotécnico para os passageiros dos navios, as pessoas que vivem na Vila e arredores tentam dormir.
Ficam valendo todas as perguntas e afirmações que fiz antes.
23:45 da noite de domingo, dia 10 de dezembro. Logo depois dos sinais de partida de um dos primeiros navios da temporada 2006-2007 estouram os fogos de artifício da Prefeitura Municipal de Ilhabela. Nesta hora é adequado deixar a formalidade de lado e dizer, com todas as letras, que se trata da coisa mais estúpida que o poder executivo municipal poderia fazer -- e repetir -- em ocasião dos navios de passageiro.
Enquanto o poder público faz um agrado pirotécnico para os passageiros dos navios, as pessoas que vivem na Vila e arredores tentam dormir.
Ficam valendo todas as perguntas e afirmações que fiz antes.
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Livros à venda
Estou vendendo alguns livros de minha coleção. Quem tiver interesse em algum título, contate-me pelo e-mail christiandrs@gmail.com
FILOSOFIA
BENOIT, Hector. Sócrates: o nascimento da razão negativa. Moderna. R$10,00
CÍCERO. Saber envelhecer (seguido de A amizade). L&PM Pocket. 1997. (Papel jornal) R$8,00
DURANT, Will. A Filosofia de Nietzsche. Ediouro, Os Grandes Filósofos. R$8,00
EMERSON, Ralph Waldo. Conduta para a vida. Martim Claret, Coleção A Obra-Prima de Cada Autor. 2003. (Novo; coleção de conferências de Emerson) R$8,00
EMERSON, Ralph Waldo. Homens representativos. Ediouro, Clássicos de Bolso. (Breves biografias de homens célebres, escritas pelo genial transcendentalista) R$12,00
NAGEL, Thomas. Uma breve introdução à filosofia. Martins Fontes. 2001. (um dos volumes da mesma coleção que inclui o Pequeno Tratado das Grandes Virtudes) R$12,00
NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. Martim Claret, Coleção A Obra-Prima de Cada Autor. 2005. (Novo) R$8,00
NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. Martim Claret, Coleção A Obra-Prima de Cada Autor. 2001. (Novo) R$8,00
NIETZSCHE, Friedrich. Más allá del bien y del mal. M. Aguilar. 1947. (Em espanhol, um dos volumes das obras completas de Nietzsche publicadas na Argentina nos anos 40) R$25,00
PLATÃO. Apologia de Sócrates. Escala, Coleção Mestres Pensadores. (Novo; papel jornal) R$6,00
ROMANCE
AZEVEDO, Ricardo. Lúcio vira bicho. Companhia das Letras. 1998. (Novo; literatura infanto-juvenil) R$9,00
GIDE, André. Pântanos. Civilização Brasileira. 1972. R$12,00
HESSE, Hermann. Este lado da vida. Civilização Brasileira. 1977. R$15,00
HESSE, Hermann. Gertrud. Civilização Brasileira. 1972. R$10,00
HESSE, Hermann. Knulp. Civilização Brasileira. 1970. (Capa dura) R$15,00
HESSE, Hermann. Pequenas Alegrias. Record. 1977. R$12,00
HESSE, Hermann. Rosshalde. Civilização Brasileira. 1972. R$10,00
HESSE, Hermann. Sobre a guerra e a paz. Record. 1974. R$ 10,00
JABOR, Arnaldo. Eu sei que vou te amar. Círculo do Livro. 1990. (Capa dura; livro com o roteiro do filme homônimo) R$12,00
KEROUAC, Jack. O livro dos sonhos. L&PM Pocket. 1999. (Papel jornal) R$10,00
SARTRE, Jean-Paul. A idade da razão. Difusão Européia do Livro. 1961. (Caindo aos pedaços, mas com o texto integral) R$4,00
ORIENTAIS
ATTAR, Farid Ud-Din. A Conferência dos Pássaros. Cultrix. 1993. R$10,00
HUA, Ellen Kei. Meditações do Kung Fu e sabedoria chinesa proverbial. Ediouro. 1982. (Coletânea de provérbios taoístas e confucionistas) R$6,00
I CHING: mensagens para crescimento pessoal. Caras, Coleção Caras Zen. 2004. (Novo; uma versão enxuta do clássico chinês, ideal para consultas rápidas) R$4,00
MUSASHI, Miyamoto. O livro dos cinco anéis. Madras. 2004. (Novo) R$12,00
YUTANG, Lin. A importância de viver. Círculo do Livro. (Capa dura) R$15,00
COLEÇÃO PRIMEIROS PASSOS
COSTA, Caio Túlio. O que é anarquismo. Brasiliense, Coleção Primeiros Passos. 1985. R$8,00
PEREIRA, Carlos Alberto M. O que é contracultura. Brasiliense, Coleção Primeiros Passos. 1986. R$8,00
NUTRIÇÃO
HOLMES, Charlotte. Os campeões são vegetarianos... e você?. Casa Publicadora Brasileira. 1998. (receitas vegetarianas) R$12,00
KUSHI, Michio. Culinária Macrobiótica: princípios e técnicas. TAO. 1980. (receitas macrobióticas) R$8,00
POLÍTICA
MELLÃO NETO, João. Loreley e a condição humana: a democracia no Brasil e no mundo. Siciliano. 1995. (João Mellão Neto escreve no jornal O Estado de São Paulo e foi eleito recentemente deputado estadual) R$12,00
DICIONÁRIO
Pequeno Dicionário Michaelis Espanhol-Português-Espanhol. Melhoramentos. 1992. (Novo) R$10,00
MANUAL
CALDER, Julian. Manual de Fotografia 35mm. Círculo do Livro. 1982. (Capa dura; mesmo em tempos de fotografia digital, o manual, ricamente ilustrado, é um bom referencial para fotógrafos amadores) R$35,00
PIN, Tien. Feng Shui: o caminho do meio. Nobel. 1999. R$16,00
HUMOR
SARRUMOR, Laert. Mil Piadas do Brasil. Nova Alexandria. 1998. R$16,00
FRASES
COELHO, Paulo. Frases: 106 reflexões dos guerreiros da luz. Ediouro. 1995. (Novo; frases extraídas das obras de Paulo Coelho) R$4,00
A semana
Transporte alternativo-coletivo -- vereador quer liberar-o-geral no transporte alternativo-coletivo de Ilhabela. Cidadãos acham bom, desde que o transporte alternativo-coletivo passe na porta de suas casas -- obóvio. Transporte alternativo levado a sério nesta cidade seria uma ciclovia decente. O resto é populismo. Alguém lá no fundo mandou perguntar: cadê a barquinha?
Lama -- a coisa é bem simples: vão estudar, vão. Não é que o erro não deva ser punido, é apenas que não é você que vai determinar ou executar a pena. E se você não estuda, sua participação vale tanto quanto a participação do mosquito que zune no ouvido de quem escondeu dinheiro sabe-se lá onde. Roubou, desviou, pouco importa se você não consegue ser menos pragmático, menos prático, menos cínico do que aqueles que roubaram "só um pouquinho". Que você esteja certo neste momento, quando defende punição para os culpados, veja bem, é mera coincidência, não o resultado de esforço e estudo. Ademais, em tempos de mega-informação, tudo é circo.
Res publica -- aliás, dinheiro público não é aquele que pertence a todos. Uma das bases do estado de direito é a existência de um poder público que faz o que bem entender com o dinheiro colhido dos cidadãos. Digo isso para aqueles que chegaram a pensar na roubalheira pública como razão para defender o seu, independentemente dos meios, dos princípios e dos fins. Roubalheira política é razão para fazer cabeças rolar, mas nunca vai ser razão suficiente para que o dinheiro que lhe foi confiscado através dos impostos volte para o seu bolso. Se houve a roubalheira, é tarde para reaver o dinheiro, mas nunca para reaver a dignidade política.
Eufemismo -- em tempo, desviar dinheiro é a mesmíssima coisa que roubar dinheiro.
Futuro -- alguém olha para Ilhabela e consegue ter esperanças, de verdade?
Na calçada -- em minha humilde opinião, todo o executivo municipal deveria trabalhar na calçada. Se é verão, um guarda-sol resolve. O vice-prefeito está apenas dando o exemplo e neste particular está coberto de razão.
Lama -- a coisa é bem simples: vão estudar, vão. Não é que o erro não deva ser punido, é apenas que não é você que vai determinar ou executar a pena. E se você não estuda, sua participação vale tanto quanto a participação do mosquito que zune no ouvido de quem escondeu dinheiro sabe-se lá onde. Roubou, desviou, pouco importa se você não consegue ser menos pragmático, menos prático, menos cínico do que aqueles que roubaram "só um pouquinho". Que você esteja certo neste momento, quando defende punição para os culpados, veja bem, é mera coincidência, não o resultado de esforço e estudo. Ademais, em tempos de mega-informação, tudo é circo.
Res publica -- aliás, dinheiro público não é aquele que pertence a todos. Uma das bases do estado de direito é a existência de um poder público que faz o que bem entender com o dinheiro colhido dos cidadãos. Digo isso para aqueles que chegaram a pensar na roubalheira pública como razão para defender o seu, independentemente dos meios, dos princípios e dos fins. Roubalheira política é razão para fazer cabeças rolar, mas nunca vai ser razão suficiente para que o dinheiro que lhe foi confiscado através dos impostos volte para o seu bolso. Se houve a roubalheira, é tarde para reaver o dinheiro, mas nunca para reaver a dignidade política.
Eufemismo -- em tempo, desviar dinheiro é a mesmíssima coisa que roubar dinheiro.
Futuro -- alguém olha para Ilhabela e consegue ter esperanças, de verdade?
Na calçada -- em minha humilde opinião, todo o executivo municipal deveria trabalhar na calçada. Se é verão, um guarda-sol resolve. O vice-prefeito está apenas dando o exemplo e neste particular está coberto de razão.
terça-feira, novembro 28, 2006
Artigo de novembro
Em meu saite pessoal pode-se ler Capitalismo saudável, meu artigo de novembro no Jornal da Ilha.
Não é de bom tom ter rusgas com colegas de jornal, mas devo dizer aqui que este artigo foi escrito como resposta a dois artigos publicados na edição de outubro do JI. Os autores -- cujos nomes não é necessário citar neste blogue -- repetiram um dos velhos jargões da esquerda: o capitalismo é responsável pelos males do mundo. Esta idéia oferece uma única conclusão: se o capitalismo é o próprio tinhoso na Terra, é necessário expurgá-lo. E ao expurgá-lo sobra seu antagonista, socialismo ou comunismo, como o queiram chamar.
Se a defesa aberta de ideologias sanguinárias pode ser malvista, come-se pelas bordas, isto é, eliminam-se seus antagonistas. Pode-se vencer usando as próprias qualidades ou eliminando os opositores. No Brasil, é fácil perceber qual a estratégia que as esquerdas preferem.
E o que isso tem a ver com Ilhabela? Tudo. Se a idéia da vilania do capitalismo foi novamente impressa nas páginas de um jornal local, tem-se a certeza de que ela também circula entre as gentes -- não sem danificar algumas mentes.
*
Aliás, em tempos de CPI, fica ainda mais clara uma das idéias que costumo defender: não são os sistemas que causam pobreza e violência, mas sim as pessoas, o desvio moral, a ausência de caráter. No mesmo ambiente capitalista há ladrões incuráveis e trabalhadores honestos. O que os diferencia?
domingo, novembro 12, 2006
Não vale a pena ver de novo - parte II
É claro que uma informação não-oficial estava sujeita aos riscos de não vingar e ser tachada de boataria fácil e danosa. Tal era a essência do post Não vale a pena ver de novo.
A grita geral nos fora internáuticos contra minha iniciativa ignora uma pergunta importante: e se de fato a Prefeitura pretendesse cortar mais uma árvore na Vila?
Aparentemente a intenção existiu. E qualquer empreendedor que olhe para a falsa-seringueira sobrevivente na Praça Coronel Julião decerto pensará nas inúmeras possibilidades de fazer algo com o espaço que surgiria com o corte daquela árvore. Digo isso porque eu, que não sou exatamente um leigo, pensaria em possibilidades desse tipo, se acaso me fosse dada a ingrata tarefa e se fosse do tipo que anda para árvores exóticas só porque são exóticas. Sei que há muita gente assim em Ilhabela.
*
A propósito, comentários anônimos não serão sumariamente apagados -- não obstante a obrigação moral que eu teria de fazer isso --, mas provavelmente serão ignorados. Eu me disponho a comentar e discutir todos os comentários, desde que os comentaristas se disponham a comentar em pé de igualdade comigo, isto é, dando nome e um e-mail válido exatamente como faço neste blog. Se não são capazes de fazer isto, é realmente melhor que continuem se escondendo. Quando alguém diz que apóia a atual administração municipal, sai em sua defesa e não é capaz de se identificar, já disse o essencial.
Esgoto
Deu no Estadão de hoje:
Litoral norte só trata 28% do esgoto
Situação é pior em cidades que estão entre as que mais crescem no Estado, como São Sebastião e Ilhabela.
O problema já foi objeto de dois posts neste blog. Para quem crê que é apenas uma questão de saneamento básico, devo lembrar que não é. Em Ilhabela, a falta de saneamento básico e de uma rede de esgoto e tratamento decentes significam três coisas: 1) esgoto clandestino circulando pela cidade; 2) esse esgoto chegará às praias na primeira chuva que vier; 3) praias poluídas não afetam somente a saúde de turistas e habitantes, afetam também a economia da cidade.
Cidades maiores do litoral paulista já perceberam a equação que diz mais esgoto sem tratamento = menos turistas = menos dinheiro, e se esforçam para resolver esse problema. Ilhabela e São Sebastião, por uma série de razões que não pretendo discutir agora, parecem estar na contramão desse processo, apostando talvez na exuberância natural que continua a atrair turistas.
Na dúvida, evito nadar nas praias daqui até que os boletins da Cetesb demonstrem que algo está mudando -- para melhor.
segunda-feira, novembro 06, 2006
Prefeitura de Ilhabela apura fraude em folha de pagamento
Via VNews:
A Prefeitura de Ilhabela está investigando o desvio de verba pública no município. A fraude foi encontrada na folha de pagamento da prefeitura. A comissão que investiga o caso é formada pelos Secretários de Finanças, Administração e Assuntos Jurídicos e o Depatarmento de Recursos Humanos da prefeitura.
Segundo a comissão, eram emitidas duas folhas de pagamento por mês. Uma delas continha o salário real dos funcionários. A outra ia para os bancos com valores a mais, que eram depositados nas contas. Em alguns casos esses valores chegavam a ser maiores que os salários. Um dos funcionários, por exemplo, deveria receber em agosto, R$ 1.634, mas foram depositados R$3.400. Outro chegou a receber dois pagamentos em um único mês.
Quando a investigação começou, em agosto, todas as gratificações foram cortadas. A folha de pagamento de setembro teve uma redução de R$ 64 mil.
Uma funcionária, que emitia a folha pagamento, foi afastada do cargo até que o fim da sindicância seja concluída. De acordo com o marido, ela viajou e vai passar esses dias fora e não quer comentar o assunto.
O vice-prefeito disse que espera ver o caso esclarecido.
Segundo o secretário de Assuntos Jurídicos de Ilhabela, os funcionários que receberam mais que o valor devido, terão que devolver o dinheiro para a prefeitura.
terça-feira, outubro 31, 2006
Três cidades contra a verticalização
A íntegra da matéria pode ser lida no Estadão de hoje.
segunda-feira, outubro 16, 2006
Política insular
Além disso, é sempre curioso perceber como a política é o território da inconstância. Não há estudo, não há reflexão, há apenas a reação circunstancial, cujas bases incluem tirar o melhor proveito pessoal possível de cada situação. Nada além disso. Interesses públicos? Somente aqueles que se transformarem em votos mais tarde.
É bom que a maioria dos candidatos do litoral norte paulista tenha sido recusada nas últimas eleições. Eles mereceram.
Eis o artigo que não houve.
Política insular
A política local não vale o esforço de criticá-la. Repito isso a mim mesmo diversas vezes por dia na esperança de abandonar o assunto, mas não consigo. As eleições deste ano mostraram a importância de cumprir a promessa e me preocupar com coisas mais importantes, como a manutenção da minha bicicleta e o desempenho da Lusa na segundona, mas tive que reavaliar minha decisão quando lembrei que parte do meu
dinheiro vai parar no bolso de pessoas em quem eu não votei e que essas pessoas conseguem ser menos inteligentes do que eu. É dor demais para quem não acredita em democracia.
Alguns fatos merecem reflexão e podem servir de alerta prematuro ao que virá nas próximas eleições municipais. Ficarei feliz se as próximas linhas servirem de matéria-prima para que algo de bom aconteça na política local. Vejamos:
1) Pode parecer banal, mas a desavença entre prefeito e vice-prefeito revela o descaso pelos assuntos públicos. A sala do vice-prefeito está vazia e trancada. Não sei de quem é a culpa, mas a desunião de duas importantes figuras do executivo municipal deixa claro que os interesses pessoais foram colocados acima dos interesses públicos. Eu entenderia uma sala vazia se se tratasse de uma união conjugal, mas não a entendo no caso de uma união política, que é sempre explicada pelo interesse comum de trabalhar pela sociedade e de beneficiá-la e que, quando termina, raramente encontra explicação.
2) A deformação da Praça da Bandeira, assunto de que tratei em meu artigo anterior neste Jornal da Ilha, foi uma decisão política. Uma decisão política é aquela que só é comunicada aos cidadãos quando já é tarde demais, geralmente nas páginas do mirrado Diário Oficial,
veículo tão popular quanto um jornal de mural de escola. A decisão de derrubar três grandes árvores demonstrou que os políticos de Ilhabela não dão a devida importância à opinião popular, não sabem o que é paisagem ou não consideram a Praça da Bandeira um lugar importante. Eu aposto nas três hipóteses.
3) Vereadores, que costumam se eleger com o argumento de serem a sua voz na Câmara Municipal, não se pronunciaram sobre os dois assuntos acima mencionados – entre tantos outros assuntos fundamentais para Ilhabela. A reforma na Praça da Bandeira foi ignorada pelos vereadores. Por que?
4) A despeito da qualidade do Plano Diretor, aprovado recentemente, a maioria dos vereadores não tinha conhecimento prévio do que iria aprovar. Embora o Plano Diretor tivesse sido elaborado por profissionais competentes, alguns dos responsáveis por sua aprovação não o conheciam, não se dispuseram a estudá-lo e, por isso, não tiveram condições sequer de compreender algumas propostas e conceitos contidos nele.
Alguns poderiam dizer, à maneira de Stanislaw Ponte Preta, que de onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo. Num país em que o governo federal é exemplar na roubalheira, soa ingênuo cobrar algo de alguns políticos, como se eles pudessem fazer algo além de apertar botões (sim/não), assinar papéis e, em ano eleitoral, gastar o que não
têm.
Políticos são responsáveis pelos interesses públicos. Se me deparo com um político que conhece o Plano Diretor menos do que eu, que preza a Praça da Bandeira menos do que eu, que não se escandaliza e que silencia diante da divisão dentro do poder executivo municipal, então sou obrigado a concluir que algo está errado, sobretudo porque todo político é pago para conhecer detalhadamente as leis do município, para zelar pela memória e pela paisagem do município e para se preocupar com a instabilidade nas instituições públicas.
Não me importa quem são as pessoas. Algumas delas conheço pessoalmente e prezo-as como a todo cidadão que trabalha para que Ilhabela seja um lugar bom também para seus bisnetos. O que me importa é que essas pessoas cumpram suas obrigações, cumpram aquilo que seus títulos pressupõem. Uma sala vazia numa prefeitura significa desperdício de
dinheiro público. A indiferença diante da destruição da paisagem e da memória ilhabelenses significa descaso com a memória de cada cidadão.
A essas pessoas seria excelente um dia de estudo por semana para ler alguns livros da Biblioteca Municipal – por exemplo, Política, de Aristóteles, e Tratado da Correção do Intelecto, de Spinoza. A cidade ganha mais quando um incompetente fica em casa estudando. Acho que foi o diplomata Meira Penna que disse "quando Brasília dorme, o Brasil cresce"; às vezes temo que algo parecido valha para Ilhabela.
Quem não sabe ser melhor do que seus eleitores no trato dos bens e interesses públicos, quem não consegue cumprir as obrigações morais de um cargo político, tem de ser humilde para reconhecer tais coisas e dedicado para estudar e para se aperfeiçoar como cidadão.
terça-feira, outubro 03, 2006
Não vale a pena ver de novo
Eu já vi esse filme. Não quero ver de novo.
A informação não é oficial, mas veio de fonte segura.
Como parte das obras de reforma da Vila, a Prefeitura, através de sua Secretaria de Obras, planeja modificar também a Praça Coronel Julião, situada na entrada da Vila, diante do Fórum, restaurado recentemente.
Entre as modificações previstas estão a construção de uma concha acústica, conforme vocação desenvolvida nos últimos anos nesse lugar, e o corte da falsa seringueira situada numa das esquinas da praça (perto do Bradesco e do Bar Tamandaré).
A Prefeitura já cometeu um erro grave ao cortar três árvores dessa espécie na Praça da Bandeira. Pretende repetir o erro, desta vez na Praça Coronel Julião. Valem aqui todos os argumentos que apresentei neste blog sobre o corte dessas árvores, bem como os dois artigos que escrevi e publiquei nos jornais da cidade (este e este).
Errar é humano. Persistir no erro é burrice. Vindo do poder público, que tem a obrigação moral e legal de acertar (e é bem pago para isso), seria uma burrice imperdoável.
Sinceramente, eu gostaria que isso fosse apenas boato. Ficarei feliz se a Prefeitura vier a público para desmentir este post -- para isso a área de comentários deste blog está à disposição, bem como o meu e-mail. Senão, algo precisa ser feito.
domingo, outubro 01, 2006
Eleições 2006
Este ano, como no ano passado, trabalhei como mesário na Escola Mércia-não-sei-das-quantas, no Saco da Capela. A julgar pelos números de minha seção, nos livraremos do Guia Genial em breve. Seu principal antagonista, Geraldo Alckmin, levou 137 votos, contra 37 do atual ditador. No senado as perspectivas também foram boas, Afif com 125 votos, Suplicy com 20. Em compensação, entre os candidatos à Câmara, Maluf esteve entre os mais votados. Para a Assembléia Legislativa, o mais votado foi o candidato local, Collucci.
Mas minha seção tinha apenas 225 eleitores. E o PT nem tem representação em Ilhabela (felizmente), o que explica o fracasso do Leviatã aqui em além-mar. No continente as coisas são bem diferentes. Mas eu espero que tenhamos um 2º turno, mesmo que isso signifique trabalhar de graça para o Estado mais uma vez.
Mas minha seção tinha apenas 225 eleitores. E o PT nem tem representação em Ilhabela (felizmente), o que explica o fracasso do Leviatã aqui em além-mar. No continente as coisas são bem diferentes. Mas eu espero que tenhamos um 2º turno, mesmo que isso signifique trabalhar de graça para o Estado mais uma vez.
terça-feira, setembro 19, 2006
Enquete
Criei uma enquete em meu saite pessoal. Asseguro a todos que o assunto em pauta tem muito a ver com Ilhabela. A pergunta que proponho é:
Você acha justo pagar para trabalhar?
Claro que a pergunta é um pouco complexa e tem diversas implicações e desdobramentos. Explico alguns no post que deu origem à enquete. Dêem uma olhada e deixem seus comentários por lá.
A todos, muito obrigado.
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